quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Broken heart

Entraste apressado como um furacão perdido no tempo, a hora combinada já ia longe e o Sol punha-se, arrefecendo os seus raios no mar. Fui a primeira a abrir a porta depois de muitos anos em que eras tu que desesperavas com os meus atrasos sempre por demais prolongados. Desta vez a tua chegada não era ansiada, podia ter ficado dias, sentada naquela cadeira, vagueando o olhar pelas paredes envidraçadas e os dedos a bater no tampo da mesa de carvalho envernizado. A tua cara espelhada em cada em cada peça…o tempo fizera de ti um homem importante, quem diria? Choviam-te elogios, caiam-te aos pés como folhas caducas de Outono e tu abrias caminho entre os destroços, remavas contra a maré e não tinhas tempo a perder. As tuas horas tornaram-se escassas, a tua vida uma azáfama de compromissos inadiáveis e os teus dias pacíficos viraram uma roda-viva que não cessa. Vinhas acompanhado, morena de caracóis, uma pele resplandecente de porcelana e olhos claros, quase transparentes, se o nevoeiro não pairasse no fundo, revelando o sorriso falso e a simpatia fingida. Sentaram-se lado a lado, cúmplices, sérios e conscientes do que se seguiria. Não era mais do que um “negócio” rotineiro, procedimentos habituais e as burocracias do costume. Abris-te a pasta, de couro preto, retiraste os papéis imaculadamente brancos e deixaste que fosse ela a encarar-me com os seus conhecimentos superficiais sobre um assunto que não lhe dizia respeito. E pensar que me endividei por ti, desejei-te demais da conta e acabei na falência. Se fosse hoje… não mudava um traço rasurado do nosso esboço, uma palavra fora da linha, o nosso amor em desalinho e de novo os mesmos erros ortográficos de outrora como se nunca nos tivessem ensinado a conjugar os verbos nas formas correctas. Havia um vazio, um silêncio oco no fundo dos teus olhos, o teu corpo ausente de impaciência, nunca me fitaste, talvez com medo de te afundares nas lágrimas que só tu podias sentir a correr no fundo do meu peito. Assinei cada folha sem convicção e sem pressa, quando nos despedimos de uma parte de nós temos antes que chorar todas as lágrimas, desembaraçar cada nó e no mais íntimo de nós, abrir mão para regressarmos em paz à solidão dos dias. Pousei a caneta na mesa e com um jeito cuidado, terno até, pegas-te Nele ainda a bombear o ar como se porventura me pertence-se, colocaste-o numa caixa de cristal, contemplaste-o com admiração e o teu rosto brilhava de satisfação, Ele era forte, não se deixou abater, nem esmoreceu. Fechaste a caixa como um cofre-forte, levantaste-te e o teu andar de Príncipe Real não te abandonou, agora o meu bem mais precioso era teu, se não para sempre, enquanto os dias nascessem. No último instante, repousaste o teu olhar no meu, antes de fechares a porta, abraçaste-me demoradamente em segredo, afastaste-te a medo com um receio profundo de que ainda houvesse algum elo que nos ligasse e este se quebrasse no teu primeiro passo distante. Sorri-te com doçura, incentivando-te a partir com o meu olhar ainda a sussurrar-te saudades esquecidas. No momento em que os teus olhos se desenlaçaram dos meus, o pulsar no fundo da tua mão findou e a caixa pintou-se de um vermelho vivo, viraste-te num impulso rápido, à tua frente estava a minha cadeira vazia e uma Fénix renascida das cinzas voava no horizonte.

*A tua flor*
(8110)


Agradeço a todos pelas vossas sugestões! =) Gostei especialmente de "leve desamparo de um doce sentimento" da Maria resume na perfeição o meu devaneio. Obrigada.

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Leve desamparo de um doce sentimento


Deixo-me solta e de repente o mundo fica mais leve com o meu coração a flutuar por aí perdido num balão de ar quente. Viro louca desmiolada, apaixonada por ti, o meu corpo levita ondulando finalmente até à saída do emaranhado labirinto que nos desconjuga o ser, desembaraço os nós da razão e de alma dada derrubamos os muros que desunem as cores da nossa pele. Os dias que nada mudam, correm apressados na ânsia de te encontrarem nos lampiões acesos pela noite fora, por onde fugimos e corremos soltos, de volta para o amparo dos braços que a distância não desenlaçou, rasgando o que nos discrimina e aparta convicto do supostamente correcto. Mergulho no fundo do teu olhar e contemplo-te arrebatada pelo encanto que preservas nos mundos que habitam dentro de ti. Ficamos ambos laçados pairando acima das nuvens e o chão na pontinha dos nossos pés. Os gestos desamarram-se e o teu coração trespassa-me o peito, acarinhando o meu batimento cardíaco, já por si só acelerado. Digo o quanto te quero bem num sussurro silencioso, que me rasga a alma num abismo vazio, onde me encho de ti reconfortando-te no mais fundo de mim. Batalhamos contra nós mesmos, inimigos engenhosos sem receio da derrota, esgotamos os estratagemas ilusórios e acabamos rendidos. Esqueço o medo, deixo-te entrar docemente enquanto me acalmas um pouco no meio da tempestade, esperas que o meu corpo aquiete devagar e vais prolongando a melodia dos teus lábios e o mel da tua pele contrastando com a minha. Haverá sempre uma noite de chuva e vendavais milagrosos repletos de magia que nos devolvam o aconchego do abraço que nos pertence. Até o dia nascer e a noite correr desamparada de volta para o negrume obscuro, enquanto os raios de sol nos vão banhando o rosto atulhando-nos de razão, e a nossa sombra a fugir difusa pelo branco das paredes e de repente já lúcida vejo-te a escorrer-me pelos dedos deixando-me a balançar carecida de ti na corda da solidão.




Não consegui encontrar um título para o texto,
por isso, se tiverem alguma ideia gostava que me dissessem! =)
Beijinhos para todos e já agora um óptimo Natal* ^^





*flor*
*Título de Maria da Silva
(22119)

domingo, 22 de Novembro de 2009

O nosso amor mudo


Continuamos a levar a cabo uma relação insana, feita de marés que mudam com um simples sopro, onde o ódio e o amor não se suportam cruzando-se num vai e vem desenfreado. Andamos os dois a agonizar nesta ausência de apatia sentimental, numa peça de teatro enfadonha e intragável cheia de actos falhados e personagens repetidas que nunca saem de cena, num cenário que já cheira a mofo. Mimetizamos os gestos, os sorrisos, as lágrimas, as palavras e principalmente os silêncios. Não nos entendemos, nem percebemos o que cai nas entrelinhas. Enchemo-nos de ofensas brancas, como as mentiras, e manejamos o tempo que não temos com a destreza de quem pega numa espada demasiado afiada. Não me digas nada de nada, já não suporto a algazarra silenciosa que nos separa, o nosso emudecimento ainda me grita no fundo da alma que já não te tem como aconchego. Não te dispas mais de mim, não te quero saber de cor como quem aprende a tabuada, ensina-me antes a filosofia do teu ser e deixemos as ciências exactas que o nosso ‘bem-querer’ não tem. Já me cansa este puxa e empurra, esta brincadeira de criança a ver quem cai primeiro no jogo da corda e doem-me os joelhos à muito esfarelados das vezes que o chão foi a minha morada. Continuemos então este ‘mono diálogo’ em que transformamos o nosso amor e não te entristeças meu príncipe, porque este amor que nos une, -para lá do nosso entendimento- é daqueles que viverá para sempre, mas só porque não tem onde cair morto.




*A tua flor*
(1809)

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

É isso mesmo (saudade)



Às vezes tenho saudades tuas. Aparecem assim pela manhãzinha ou nos intervalos do tempo em que te esqueço e é ver-me que nem uma maníaca das limpezas aparentes, a varrer-te para debaixo do tapete da entrada, para que ninguém repare que ainda me És tanto. A tua ausência maça-me com tanta convicção que chego a ter medo que o tédio de não te ter se torne o bê-á-bá dos meus dias. Quando não me ligas e o teu paradeiro é extraviado para parte incerta, eu enlouqueço um pouco. É nesses dias que o deserto do Sahara se torna ameno e temperado, um local ideal, afável e aprazível para se viver, comparado com o descontrole meteorológico que se apodera da minha alma. Cansa-me que de ti me sobrem apenas as lembranças de um realidade inexistente, incomoda como uma melga que não deixa dormir depois do cair da noite, os pés molhados num dia de chuva fazendo chap-chap a cada passo, um formigueiro na ponta dos dedos que se vai alastrando pelo corpo todo. A saudade que tenho de ti aborrece-me, vem pela calada pé ante pé, chegando-me inesperada enquanto leio o jornal e me sorris no fundo da página no meio da sopa de letras onde formo o teu nome. Cutuca-me em cada esquina do meu caminho rotineiro e barra-me a passagem em poses exibicionistas para me roubar a atenção. É isso mesmo, saudade. E é uma chatice não te ter aqui para me ajudares a matá-la com golpes certeiros. Esta falta de ti padece-me a alma, mas a culpa é minha, - eu sei - fui eu que desfolhei o livro demasiado depressa na ânsia de chegar até a ti e agora que encerras-te o capítulo eu não sei como virar a página.





*A tua flor*
(131009)

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Princesa de algodão doce


Tens os olhos mais cristalinos que eu já vi, como lagos selvagens banhados pela luz do sol. Existe um mundo inteiro dentro deles e é por isso que não vivemos na mesma dimensão. Tu vês castelos, princesas e cavaleiros valentes de espada em punho que um dia se transformam em príncipes. Eu vejo miséria, destruição, tristeza e não confio em ninguém porque toda a gente mente. Esse teu brilho que trespassa todo o sofrimento, a dor e as trevas onde vivo acompanha-me todos os dias como uma estrela guia. O mundo não é um lugar perfeito, mas os nossos mundos não são iguais, a matéria não é a mesma, os números não batem certo e a química não condiz, por isso é que às vezes o nosso entendimento não é claro e fica um lusco-fusco entre a minha escuridão e a tua luz. O teu brilho é inconfundível, talvez tenha sido ele que te fez ver através de mim e levado o teu coração a amar o meu. E esse amor nunca falhou nem nos momentos mais sombrios, não balançou neste gume afiado em que vivemos tentando o equilíbrio, encurtando os Anos-luz que nos distanciam um do outro. Porque és uma sonhadora e precisas de acreditar que é possível arquitectar a perfeição no meio da neblina para que o desfiar dos dias não te mate. Quantos já te amaram sem saberes, por viveres nesse teu mundo encantado. Eu amei-te desde o primeiro instante, não, não foi amor à primeira vista, eu amo-te de outra vida, uma vida que não esta. Acredita que somos mais que um mundo princesa de algodão doce, acredita que mergulhar no fundo do teu olhar é de perder o fôlego, mas viver dentro do teu coração é a brisa dos Deuses.







*A tua flor-princesa*
(121009)

domingo, 27 de Setembro de 2009

Naufragada em ti


Gosto da forma indecente e sorrateira com que me olhas, quando o desejo te assalta e o ímpeto de me desvirtuares te consome, transpirando por todos os teus poros. E o teu sorriso de menino me galanteia seguro do entendimento da minha alma, apaixonada pela tua desde os primórdios da existência humana. Vou passeando-me diante ti, enquanto me cobiças, como um diamante raro nunca antes encontrado... e de repente o teu cheiro chega-me, com o pulsar do teu coração a atingir-me em cheio nas omoplatas, os lábios a descerem pelo pescoço beijando-me até à clavícula, depois de me morderes a orelha, numa viajem de puro atrevimento condimentado com suspiros de satisfação. Afagas-me o cabelo num gesto de cuidado cheio de meiguice e devoção, tornando o mundo demasiado exíguo para suportar tamanho amor o nosso. A tua imoralidade hiperactiva invade os meus sentidos, inebriando-os num puro erotismo dissolvendo a minha timidez como quem dilui açúcar no café. Acabando com o pudor, levando os meus dedos a entrelaçarem-se no teu cabelo curto e as minhas pernas a enlaçarem-te o tronco numa alquimia perfeita em que te absorvo através da minha pele. Sob as estrelas que nos iluminam insinuando que o mundo gira lá fora, abandono-me no abismo do teu olhar e afundamo-nos um no outro como navios naufragados no seu porto seguro.








*A tua flor*
(2999)

sábado, 29 de Agosto de 2009

Chove agora


Vejo as gotas de chuva a deslizarem pelo vidro como se o beijassem em segredo. Se ainda fosse capaz de sentir diria que era o perfeito mimetismo do Passado em que os teus dedos percorriam o meu rosto com a suave leveza do toque, feito seda, sempre que secavas as doces lágrimas que de tempos em tempos habitavam em mim. Dou conta do meu corpo prostrado no chão em que partiste num silêncio ensurdecedor. Pressinto a tempestade, o cheiro a terra molhada, o tilintar das folhas das árvores a caírem de tristeza. Preciso de um banho quente, de despir estas roupas grudadas na pele arrepiada, desfazer-me deste odor a sal. Quando entrei reparei nas tuas malas abandonadas no hall dos quartos, fiquei petrificada e daqui não mais saí. A bagagem não é muita, nunca ocupaste muito espaço, não guardas muitos artefactos, nem bibelôs, levas apenas uma mala de viagem solitária e um mísero saco de couro envelhecido onde a minha alma se enclausurou cuidadosamente, com o intuito de nunca se apartar da tua. Já não te sinto dentro destas quatro paredes, se conseguisse falar isso seria facilmente constatado pelo som do meu eco longínquo. Lá fora chovem gotas pintadas pelas cores do arco-íris, o ar está frio e húmido, a brisa que corre apressada vai revirando os guarda-chuvas do avesso como esqueletos frágeis e desengonçados. As pessoas não se olham e o júbilo das crianças, a chapinharem nos Oásis espalhados pela rua, ecoam como miragens no deserto. Chove agora. E lá fora a vida continua, ninguém se lembra de ti, mas todos te trazem no olhar perdido, a mesma brincadeira do “toca e foge” nunca morre, hoje entram todos por uma porta que não pretendem fechar até saírem de novo amanhã de manhã. Aqui sabe-me a ti, como se o teu oxigénio ainda pairasse no íntimo das paredes desta casa e eu vou respirando-te em pequenos sopros de vida como uma reanimação assistida. Volta depressa meu amor, não me deixes mais agonizar na tua ausência, leva os teus restos, as tuas malas, o teu cheiro, o teu ar, cada pedaço que deixaste para trás e por favor, deixa-me morrer em paz, ou então, devolve-me o coração, porque eu não sei viver sem ele.







*A tua flor*
(2089)

Sabia que isso é Plágio?



É triste quem toma como seu o que pertence a outrem.




(Segundo o dicionário Larousse Cultural, plágio significa copiar, imitar obras de terceiros, apresentando-as como se fossem de sua própria autoria. Para quem não sabe...)



*flor*

domingo, 23 de Agosto de 2009

. . . (Já cá não estás) . . .


Ainda bem, que já cá não estás! Esgueiraste-te pela porta de rua na calada da noite e o dia amanheceu brilhante e leve entrando pelas frestas da persiana. Esfumaste-te, dissolveste-te como fumo a subir pela chaminé e num abrir e fechar de olhos desapareces-te da minha vista, já cansada de te ver estendido no sofá da sala. Foi mais fácil do que pensei, não houve gritaria nem choro, não tive que mover um dedo e por mais estranho que pareça, nem te senti partir. Ufa, que te foste embora. Já não suportava o teu mau humor, as críticas e o pessimismo que defines como a realidade que te caracteriza. O nariz empinado, o orgulho e a arrogância que me matavam os dias, enquanto eu fingia que a felicidade me sorria num exercício de paciência infinita que me desgastava a alma e me enchia de rugas precoces. Não sei quando foi que os teus braços afrouxaram no meu corpo apático e o teu sorriso deixou de ser o responsável pelo impulso do bater do meu coração. As tuas crises existenciais asfixiaram-me o desejo de novos horizontes e a tua auto-suficiência egoísta despedaçaram-me os sonhos em pó. Escoou-se-me a vontade de pintar de novo perfeito e imaculado, sem vincos nas calças e nódoas na camisa, como nos primórdios do meu encanto por ti. Constato agora sem o menor esforço que foi fácil, bastou esperar que o tempo desperta-se em ti o cansaço de brincar às casinhas tendo-me como boneca principal. Ufa, que já cá não vives. Agora posso chorar a tua ausência à vontade e confessar a todos a falta que me fazes nas Quatro Estações do ano em todas as horas do dia.





*A tua flor*


(1889)

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Se te amo...?

Isto não é amor. É loucura, assombração, hábito, desespero. É agonizar, é sentir que tudo se desfaz numa tortura constante em que as vísceras se dilaceram até faltar o ar. É angústia, perseguição, mal olhado, maldição. É sortilégio que me arrasta para ti, que me deixa sempre ao teu dispor à mão de semear, mesmo ali ao lado, num “estantinho” vou num pé volto noutro. É desejo, é vontade, é o “não há duas sem três”, quatro, cinco… É masoquismo, desilusão, cegueira que tu alimentas, só pelo prazer de apreciares o espectáculo do monstro que habita no meu ser a devorar-me, enquanto eu me contorço com uma dor invisível que se sente. É sufoco, impertinência, insanidade. Como se eu não conseguisse respirar se tu não vivesses dentro de mim. E tu comandas todos os meus passos, tens todo o poder de quem manda e desmanda na minha não existência. Ocupas a minha mente em cada milésimo de segundo que passa. És a minha droga, o meu vício por isso nunca fico sóbria, lúcida, capaz. És a minha única cura. E a minha sobrevivência (sem ti) é inatingível. Isto não é amor. É demência, praga, macumba, encantamento, feitiçaria da minha alma. Sei lá o que é. Seja lá o que for. Perseverança infinita, sonho inabalável… muito, muito desamor por mim própria.





* A tua Flor *

(7809)

domingo, 2 de Agosto de 2009

Uma questão de gramática


Ontem...

Escrevi-te até ficar exausta de tanto sentimento à flor da pele. Pus tudo preto no branco cartas em cima na mesa sem truques de magia de ilusionista barato. Acabei com essa tua perfeição defeituosa e de repente o mundo ficou mais leve. Trancas na porta e ala que se faz tarde. Nem adiantaram as falinhas mansas, as desculpas esfarrapadas ou as cantigas do bandido que sempre interpretas-te como ninguém. Libertei-me deste sufoco até ao último morfema revelei-me um Às gramatical, não errei nem um acento e nada prejudicou o atropelo das palavras engasgadas. Fiquei inóspita, arrumei-te na gaveta e livrei-me de ti. Ontem... o vazio era tanto que se ouvia ao longe o eco do coração partido enquanto chorava as últimas lágrimas depois da eternidade. Discuti os prós e contras num frente a frente encenado, acertei as vírgulas e pus os pontos nos i(s). Até tu chegares e por fim fazeres os balanço das contas cheias de somas e raízes quadradas subtraídas. E eu a dar-te corda, enquanto perdia o fio à meada numa exploração de pontos fracos já reconhecidos depois do estudo aprofundado. Esticaste-te ao máximo numa luta desleal, até me ultrapassares as defesas, virares-me do avesso e acabarmos os dois em posições gramaticalmente erradas.













*A tua flor*
(22709)



sexta-feira, 10 de Julho de 2009

A espera

.
E o tempo que não passa. E os minutos que não correm. E o segundo que se arrasta. Ainda hoje é quinta e a sexta nunca mais chega. E amanhã é sexta e o sábado está tão longe. E assim se sucedem os dias da semana, numa lentidão desesperada de quem espera. E as horas quase que param. E o tempo ri-se da ânsia de quem corre, no gozo infinito de quem manda e desmanda no que quer. Ah, se eu fosse tempo, hora, minuto, segundo! Voava! Não me deixava descansar… nem um repouso sequer! Mas tenho pés de Cinderela com sapatos de cristal e faltam-me asas. Então, vou em pezinhos de lã, pé ante pé, até chegar de surpresa. E a demora não acaba, a distância não tem fim. Até que chega a hora marcada. Os ponteiros do relógio arrepiam-se com o entusiasmo do reencontro. Depois de tanto tempo que o tempo demorou… a porta abre-se e deixo entrar a minha alma (alma…será que existe mesmo uma igual à nossa?). Num voo desastrado caio nos teus braços, agora o tempo não interessa, já não comanda nem faz esperar. Podes ficar o tempo que quiseres. Não te preocupes, eu sei que os ponteiros do relógio têm medo de ti… E param sempre à tua chegada.
.
*A tua flor*

(1977)

sábado, 20 de Junho de 2009

É fácil saber


. . . quando estás próximo. O ar fica rarefeito, irrespirável, o coração acelera ao ponto de me saltar do peito e alterar a ordem natural anatómica. Chego a sufocar num descontrole físico que me vira do avesso numa ausência total de gravidade. A terra sai do eixo, acaba-se o movimento de rotação e o dia não termina virando um arrastar de horas infinitas que não se contam. A pele arrepia-se, os poros dilatam-se na ressaca do teu toque, na ânsia dos teus lábios, no desejo dos teus dedos inspirando uma melodia que não se ouve, como se o som fosse apenas sentido quando tu e eu fossemos apenas nós. Oh, é tão fácil saber quando estás próximo! Não existe mais nada, tudo vira sussurro, brisa sem sentido, neblina perdida. E a minha alma reclama pela tua, correndo para ti desamparada, carecida de um abraço desenfreado que sacie este padecer da tua privação sempre demasiado prolongada. Enquanto o meu corpo te inspira reequilibrando o universo do nosso ser num perfeito Feng Shui, onde tudo se arruma no sítio certo.



*A tua flor*

(20609)

sábado, 13 de Junho de 2009

Quando o tempo (não) passa


Vou olhando as luzes da cidade, que brilham mais do que as estrelas, cegam-nos os olhos e ferem-nos a mente. Enquanto o tempo te vai esbatendo contra a tela vazia que hoje se veste de negro e te absorve até desapareceres. Tento não cair neste abismo que a cada segundo se abre mais entre nós, tento não ceder a tentação do desejo de te alcançar enquanto me escapas entre os dedos. Tento simplesmente deixar-me ir. Não sentir, não pensar, não agir, não ceder. Deixo de viver nestas horas sem fim, nestas horas sem vida que não se deixam passar nem vencer da mesma forma que eu me deixo ser arrastada por esta não existência. Assim, hoje sou o nada e o tudo que vagueia entre o claro e o escuro em que a vida se pinta. E não sobrevivo nem morro quando o abismo me engole numa queda vertiginosa. Porque não se pode matar o que já morreu.



*A tua flor*

(29116)

domingo, 31 de Maio de 2009

Confessa (Te)


Confessa-te aqui, como as senhoras castas que vão todos os dias à missa das oito, mas sem falsas ironias nem mentirinhas de bom pastor. Desvenda o teu segredo constrangedor de fazer corar o Cristo Rei tão pleno de Si. Vá, não sejas pudico e confessa que abris-te todos os frascos de perfume da loja mais próxima para ver se encontravas um resquício do aroma da minha pele. E depois de os utilizares a todos, cada um na sua vez te livraste deles com medo que os olhares curiosos descobrissem a parvoíce que era procuras-me noutros frascos tão pouco análogos e sem sabor. Anda. Confessa que à noite quando os braços te envolviam o cheiro te feria as canas do nariz e te ardia como ácido na epiderme enquanto te corroía até à alma. Não era eu que estava nesses frascos desconhecidos com rótulos apelativos para te ludibriar, e mesmo depois de descobrires o erro ficas-te inquieto com nervoso miudinho por não desvendares a bruma misteriosa que me envolve. A verdade meu anjo é que a fragrância que sentis-te quando me beijas-te a nuca e eu estremeci cheia de calafrios de desejo, não se vende em nenhuma perfumaria, não se encontra em nenhum supermercado, só mesmo quando me encostas a ti e percorres a minha pele com lábios de mel e mãos de seda, enquanto me apertas com fulgor e matas por breves instantes uma fome de amor desmedida.




(Nunca me encontrarás dentro de nenhum vidrinho, nem o do perfume mais caro. Só em mim. Só em ti.)



*A tua flor*

(31509)

terça-feira, 12 de Maio de 2009

Escrevo



Escrevo porque ninguém ouve. Escrevo porque ninguém tenta perceber o silêncio. Simplesmente escrevo... e tudo o que escrevo é verdade, mesmo que não passe de imaginação. Amontoam-se as palavras soltas, no infinito das folhas azuis, brancas e amarelas espalhadas pelo chão do meu quarto. Em todas um pedaço de ti e um nada de mim. Escrevo-te porque estás longe e não anseias ficar próximo. Atraso o relógio, acrescento ao calendário dias que não existem, tropeço no ar e caio na imensidão do vazio. Permito que o tempo vá escrevendo a minha história com as memórias que eu ainda não vivi. Os dias vão-se atropelando uns aos outros e enleiam-se o passado o presente e o futuro. O corpo paralisa na apatia deste momento envolto de sonhos. Sinto-me ausente de mim. Sinto-te ausente de mim. Não. Hoje não escrevo.





*A tua flor*
(2547)


Beijinhos para todos
que sentiram a minha ausência!
E obrigada!
=)

segunda-feira, 6 de Abril de 2009

"Fica comigo esta noite" (desafio)


Fui desafiada pela Marisa já faz alguns diazitos mas aqui está...
As regras são:

1.Agarrar o livro mais próximo
2.Abrir na página 161
3.Procurar a 5ª frase completa
4.Colocar a frase no blog
5.Indicar 5 pessoas para continuar a tarefa

Fui a biblioteca e peguei no primeiro livro que a minha mão tocou,como o livro não tem 161 páginas, abri na última e escolhi as duas últimas frases...



"Porque há sempre uma noite mais escura do que a escuridão do mundo.
Mesmo para quem, como eu, nunca soube escavar até ao fundo dessa gruta negra,
trans-siberiana, húmida, universal, a que chamamos coração."






*A tua flor*
(060409)

quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Vazio

.







Aqui sentada ouço apenas o eco mudo de um som que nunca existiu e que preenche este meu vazio cheio de coisas minhas que não me pertencem.







*A tua flor*
(21206)

domingo, 22 de Março de 2009

Diz-me coisas bonitas



Diz-me coisas bonitas, amor. Fala-me do céu, do mar, fala-me de nós. Conta-me histórias de “era uma vez…”. Diz-me que é para sempre, mesmo que seja só até amanhã de manhã. Conjuga o verbo amar na 1ª pessoa do plural. Fala-me de amor, amor. Conta-me loucuras insanas de amores impossíveis que um dia se concretizaram. Beija-me amor, beija-me e diz que me amas em silêncio. Fala-me de mundo encantados em que ninguém acredita. Fala-me de fadas, de castelos e casinhas de palha que nenhuma tempestade derruba. Diz-me coisas bonitas, amor. Fala-me de coisa meramente banais que ninguém consegue alcançar. Pinta um arco-íris no meu horizonte e promete-me sem promessas que os dias serão sempre assim. Diz-me coisas bonitas. Canta-me canções de amor escritas por ti, sussurra-me palavras secretas que ninguém pode ouvir e grita aos quatro ventos que as estrelas brilham para nós que somos loucos.

Olha-me nos olhos, encosta os teus lábios aos meus, põe as t
uas mãos na minha cintura e diz-me coisas bonitas, meu amor.




*A tua flor*
(1837)



terça-feira, 10 de Março de 2009

O que nos une



Somos amigos, daqueles que só se encontram uma vez na vida. Amigos do peito, da alma, de cada centímetro quadrado dos nossos corpos que tantas vezes são apenas um. Não somos daqueles amigos de infância que cresceram lado a lado, nem jogamos à apanhada, às escondidinhas ou a qualquer outra coisa juntos quando éramos ainda meio tostão de gente. Não fingimos que casámos quando pensávamos que o casamento é que unia as pessoas para sempre nem demos o nosso primeiro beijo um ao outro. Somos de mundos diferentes eu da terra dos infantários de meninos chiques, sapatinhos de vela e pólos às risquinhas, tu dos meninos descalços, de calças rotas e t-shirt suja a jogar à bola na rua (e talvez bem mais felizes). Mas somos amigos, daqueles que se conhecem sem saberem bem ao certo como nem porquê. Brincamos juntos depois de termos mais de um metro de altura, e aprendemos as diferenças que nos aliciavam. Vamos deixando os dias correrem enquanto eu até te acho piada e tu até tens paciência para jogar ao quarto escuro. Queremo-nos bem, e desejamo-nos de braços caídos já sem força para lutar contra o íman que nos cerca os movimentos e nos arrasta pelo chão que nos une. Somos amigos diferentes, daqueles que se completam, nem sempre nos entendemos, quase nunca concordamos e raramente temos a mesma opinião, mas cuidamo-nos como se o batimento do nosso coração depende-se do sorriso sincero do outro.



(...)

E muitas vezes depende mesmo.









*A tua flor*
(030309)

(Peço desculpa pela ausência.
O tempo tem sido muito pouco e a inspiração também.)

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Uma mulher como antigamente


Eu até quase que aposto que posso ser um mulher de família como aquelas de antigamente. Daquelas que lavam e estendem a roupa, limpam a casa com primor, fazem a cama de manhã quando ainda nem o sol despertou do sono depois de uma noite bem passada com a lua. Até quase que aposto que na minha casa não haveria um grãozinho de pó ou um único ácaro atrevido para atazanar a asma dos mais pequenos. E para encarnar a personagem na perfeição, seria uma cozinheira de mão cheia, de barriga sempre encostada ao fogão cheia de gordura no cabelo só para te satisfazer e te servir enquanto tu te afunda
vas no sofá a ver futebol de cerveja na mão. Eu até quase que aposto que seria uma esposa exemplar, que iria buscar os miúdos ao ATL, passava horas no hipermercado a fazer as compras do mês e por fim estaria sempre linda e maravilhosa sem gastar muito dinheiro e tempo no shopping e no cabeleireiro. Mas meu príncipe, eu até quase que aposto que isto não duraria nem uma semana, porque quem sabe fazer as compras do mês és tu, e tu é que cozinhas pratos de receitas inventadas pelos deuses que me regalam a vista e me enchem de gula, enquanto eu fico deitada no sofá e me perco em histórias imaginárias de livros que me ofereces de sorriso no rosto e mão no bolso. Porque passo horas em frente ao espelho enquanto tu te enfureces com a minha vaidade irritante depois de uma noite mal dormida mas bem passada e saímos de casa a correr atrasados (como sempre) para o encontro com o mundo que nos espera deixando os lençóis de linho branco ali à vista de todos e a casa por arrumar.






*A tua flor*
(250209)

domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Só tu



Os outros não me interessam, não me importam. Aqueles que cirandam ao meu redor acotovelando-me as costelas, acarinhando-me o umbigo, nem lhes sei o nome não lhes reconheço o rosto. Não lhes dou conta, nem retribuo as flores, os bilhetinhos e os presentes ainda por desembrulhar. As frases feitas, os sorrisos conquistadores, as declarações cantadas que derretiam todo o árctico num piscar singelo. Não me tento por jóias cintilantes feitas de vidro que se quebram ao primeiro toque, não dou atenção a slogans irresistíveis que encantam os pobres de espírito ainda cegos pelo brilho magnífico das luzes que cintilam, não me perco em atalhos fáceis nem me desvio do meu caminho que és tu. Atravesso a invisibilidade transparente dos demais e despendo toda a minha concentração postada nesta maratona olímpica de te amar. A tua omnipresença não me ofusca a visão do mundo amor, apenas me despoja de distracções desnecessárias que se exasperam por um pouco de atenção.










*A tua flor*
(020109)


domingo, 15 de Fevereiro de 2009

O que os homens temem




Os homens não têm medo da guerra nem do sangue, acho até no fundo de mim que não é o amor em si que lhes desperta a angústia. Não sou da opinião que os homens não sabem amar ou que amam pior e mais libertinamente que as mulheres. Mas a verdade é que no que toca a sofrer por amor nenhum homem as supera! Choram oceanos de lágrimas sofridas, fecham-se num mundo de recordações desgastam as fotografias do passado e sufocam o coração de mágoa e ressentimento. Morrem de amor como quem morre de doença crónica que se prolongou mais do que o esperado.

O que eu penso é que as mulheres têm muito a aprender com os homens que antes de morrerem matam e quando o sentimento os corrói transfor
mam-no em pensamento e enterram o assunto. “A dor é inevitável o sofrimento é opcional” não é uma questão de insensibilidade mas sim de sobrevivência.

A pobreza e a fome também não é algo que os apoquente se bem que a falta da televisão e da playstation os deixe com suores frios e de respiração ofegante lá arranjam a solução na casa do amigo do peito e ainda levam uma cervejinha como bónus!

De facto não há dúvidas de que os homens têm medo daqu
ilo que não entendem por isso morrem de medo das mulheres principalmente daquela que amam. Neste campo não há amigo mais amigo que o salve porque nenhum homem até hoje se mostrou apto para perceber o infindável mundo das mulheres. Apesar da soberania, do poder, da força e do domínio eles têm medo delas, as sensíveis, delicadas e doces mulheres que morrem de amor por eles e os fazem tremer de medo de se apaixonarem por elas.






*A tua flor*
(130209)

sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Entre dois mundos




Passavas por mim e eu seguia-te com o olhar, andavas sempre com um sorriso estampado no rosto e nunca chegas-te a reparar que eu espreitava todos os teus passos. Vivias demasiado ocupada nesse teu mundinho, pintado com as cores do arco-íris, cheio de borboletas e onde ainda existem princesas à espera do príncipe encantado e onde ele acaba sempre por chegar.

Quando um dia tive a coragem de chegar perto desse teu paraíso encantado, tu fascinaste-me com a tua alegria e encantaste-me com esse teu jeito delicado e sedutor. És a simpatia em pessoa, és a menina dos meus olhos e tens um interior lindo! Mas será que não podes deixar, por um dia que seja esse teu mundinho encantado onde tu
do é como tu imaginas e não como as coisas são na realidade? É que esses dois mundos onde tu vives estão numa guerra constante. E por muito que tentes, nunca vais conseguir conciliar o teu mundo perfeito com o mundo real. Andas numa luta perdida. E talvez seja por isso que todos os dias o teu sorriso se vai desvanecendo mais um pouco e o teu olhar fica cada vez mais embaciado. Pára por um instante! Desce dessa tua nuvem cor-de-rosa porque se não o fizeres este mundo acabará por te destruir. Tu irás perder a guerra de vez e eu vou perder a minha princesa encantada.

Chega aqui… senta-te no meu colo, dá-me a mão eu prometo que te protejo de tudo que te possa magoar. Anda ver como o céu é bonito daqui de baixo. Olha as estrelas. São parecidas contigo. Anda partilhar os teus sonhos comigo. Vê a lua… parece uma enorme bola! Reparas-te como ela brilha?! Estás a ver?! A vida também tem coisas bonitas fora desse mundinho onde tudo é como tu desejas e onde só entra quem tu queres.

Será que a tua nuvem não tem um cordel que eu
possa puxar para te trazer para perto de mim?! Anda sentar-te no meu colo, eu quero mostrar-te que a vida também pode ser um conto de fadas. Como esse onde te fechas-te para te esconderes do mundo e fugires às coisas más.




(Ele puxou o cordel e eu sentei-se no seu colo...)



*A tua flor*
(311205)

(Não pus aspas
apenas por opção literária)

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Hoje...



Hoje…

Acordei, vesti as calças pretas de cetim e o top preto justo sem alças coloquei o blazer acentuando a cintura de ampulheta, calcei os sapatos de salto alto que me fazem sentir a dona do mundo e no cimo da minha plenitude saí. Ignorei os olhares prolongados que provocariam torcicolos futuros, desfilei pela rua como se fosse uma passerelle de tapete vermelho no chão. Um gloss nos lábios, eyeliner nos olhos e estava pronta para impressionar o mundo e a ti. Quase não conseguis-te manter o maxilar no sítio quando o meu perfume se fez sentir, o teu olhar hipnotizado não me perdeu o rasto por um segundo e ali estava eu completamente “nua” à tua frente. Impossível ignorar o êxtase que sentis-te, quase te derretes-te na calçada da avenida como um gelado num dia quente de Verão. Mordes-te o lábio e eu sorri por dentro percebendo que eras capaz de percorrer cada centímetro da minha epiderme ali à vista das beatas que passavam e comentavam como o mundo estava perdido. Difícil seria não notar que já o estavas a fazer naquele preciso momento. Aproximaste-te com o sorriso matreiro chegas-te perto só o suficiente para fazer inveja, agarraste na minha cintura (talvez mais abaixo) e não resistis-te até ao momento da chave entrar na fechadura e a porta se abrir…


Hoje… Pintei as unhas de preto. E com tanta distracção, tu nem reparas-te na minha tristeza.








(Dia 29 de Janeiro fiz 20 anos... Como o tempo passa..!)


*A tua flor*
(250109)

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Uma dança delicada

(Step up)

Fechar os olhos e deixar-me ser guiada por ti, como se estivéssemos a dançar e ambos estivéssemos completamente sincronizados. Perder-me no conforto do teu abraço e finalmente descansar. Ficar protegida e segura onde ninguém me pode atingir. Seguir os teus passos sem medo de cair, sem me interessar pelo chão que piso, pois estou presa entre os teus braços e neles sinto-me livre. Encostar o meu rosto no teu peito, fechar os olhos e voar para bem longe, sem tirar os pés do chão.

(Take the lead)

Às vezes avançamos, noutras temos que recuar…Porq
ue numa relação não existe um director, é uma dança delicada de puxar e empurrar, direita esquerda, cima baixo, mas nós aguentamos. Porque no fim do dia não queremos dançar sozinhos.

(Save the last dance 2)




(O amor não é perfeito, mas é esse amor imperfeito que nos faz evoluir.)




(Dirty dance)



Será?...



*A tua flor*
(02030608)

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Os desejos (desafio)...

Eu nunca fiz uma lista de desejos nem de objectivos!! Mas como a mimi me desafiou, aqui vai…


Ter mais tempo livre, para a dança e para dar atenção aquelas pessoas importantes.

Viajar muito, é das coisas que mais amo na vida, tenho pena de não poder fazer mais vezes.

Ler ainda mais!! Porque amo e é sempre uma boa forma de viajar por outros mundos.

Ser muito menos sensível, nunca conheci nenhuma pessoa como eu, qualquer coisa me magoa, por qualquer coisa choro (tanto feliz como infeliz), qualquer coisa me "toca"...Como (me) dizem “Sou (és) uma flor de estufa.”… (quero deixar de ser).

Acabar o segundo semestre com uma boa média, mas já percebi que para isso vou ter que começar a estudar (não gosto nada), se não, não consigo tirar mais de 16 nos testes…

Perder o medo e Tirar a carta de condução!!! Vão fazer 2 anos que o dinheiro está no banco à espera!!

Rir muito!! =D (Palavras para quê??!)

Continuar a ser feliz!!!*

Acho que é isto… Se não for ao longo do ano perceberei! Digo eu!*

*A tua flor*



(Estive um bocadinho ausente...
Peço desculpa a todos por não ter comentado os vossos cantinhos...
Já estava com saudades disto!)

segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Tempos...


É-me tão fácil voltar a recordar aqueles tempos em que tudo reluzia com um simples toque do olhar, onde as probabilidades eram muitas e as possibilidades mais do que certezas. Chegamos a ponderar todas as hipóteses? Talvez não. Esquecemo-nos que o "para sempre" nunca é eterno, a não ser nas histórias de encantar que eu passava os dias a ver sentada no sofá aconchegada numa manta cor-de-rosa cheia de florzinhas. A nossa história pouco tem de encantada, mas bem que podia ter sido uma inspiração para algum poeta suficientemente sonhador (e louco) para acreditar nela e a tornar um marco da literatura. Longe vão os tempos em que tudo era entendimento, hoje pagamos caro a distância de mundos tã
o diferentes como os nossos. Carregamos na alma o peso de termos sido tanto (o difícil é sermos demais e nunca de menos), de termos ido tão longe e vermos os outros tão pequeninos ao ponto de desaparecerem, sem perceberem de que massa éramos (somos) feitos, de que matéria era (é) o nosso amor incondicional e turbulento onde nem sempre a tempestade antecedia (antecede) a calmaria. Desvendamo-nos demasiado, conhecíamos os lugares mais recônditos do nosso ser (tu do meu, eu do teu), percebemos demasiado tarde que não há paz no conhecimento, apenas uma consciência mais apta para sofrer por compreender excessivamente. Sabes que te corro nas veias, que te dou vida ao coração, que te faço crescer borboletas no estômago com o meu perfume adocicado que te irá inquietar o resto dos dias.


-Sabes que isso, é para sempre...





*A tua flor
(241008)

terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Amei-te antes, muito antes



Sabes, amei-te antes… muito antes de te saber o nome de conhecer os traços irrepreensíveis que te pintam o rosto numa tela descomunal. Quando te olhei pela primeira vez, fiquei tonta, inebriada, descompassada é assombroso o sentimento de chegarmos ao porto da nossa vida, de encontrarmos a nossa casa, limitei-me a sufocar ali a tua frente como se todo o ar do mundo tivesse sido sugado por um aspirador gigante. Fugi de ti, corei, corri, virei-te as costas com receio (medo não, um certo, pouco receio) de entrar num beco sem saída e não ser capaz (por não querer) de voltar a voar livre sem o coração ao dependuro guardado entre as tuas mãos. Levaste-me a reaprender o que me tinha esquecido durante a tua dilatada ausência, todo tempo até aquele momento até sermos “nós” não tinha passado de um desperdício. Achei-te horrendo por me ofuscares com o olhar, as ondas do teu cabelo deram-me tonturas arrebatadoras que por pouco não me derrubaram no chão frio e húmido daquele dia chuvoso. E a tua pele branca, como leite (magro, porque os outros te enjoam) quase transparente de tão resplandecente que estava. O tom da tua voz tão suave como seda e doce mais do que mel e a vontade de me deliciar. As palavras desnecessárias, sempre a mais quando os olhares de duas almas gémeas se encontram, na vertigem de um precipício que jamais as separará. Amei-te muito antes de saber o que era amar, o que era o abraço, o toque, o suspirar, o desejo dos nossos corpos entrelaçados. E hoje dou-me a ti, ainda com receio (medo não, talvez só o de te perder) mas com todo o coração que sempre foi e será teu, estou no teu destino, escrita nas linhas que te percorrem as mãos. Não adianta fecha-las, esconderes, fechares os olhos, que posso fazer? Sempre me guias-te não me deixas tropeçar, ensinas-me onde pisar por onde caminhar, mesmo hoje que andas tão sumido. E quando eu grito, choro ate sufocar, soluço, desespero és tu que me amparas e me seguras o rosto enquanto enxaguas as lágrimas e me fazes cócegas para provocar o meu sorriso fácil, e desatamos a rir como se fossemos eternamente tocados pela felicidade. Eu louca sonhadora, convencida que iremos envelhecer juntos, até ficarmos com o cabelo grisalho e as rugas a povoarem-nos o rosto, as dores de costas e os joanetes, os dois pitosgas, tu o conquistador invertebrado e eu a tua flor de estufa princesa do reino encantado. A amuarmos um com o outro para mais tarde eu voltar a acariciar-te e tu a envolveres-me nos teus braços ainda fortes e seguros enquanto eu adormeço e tu me proteges dos males do mundo.






*A tua flor*
(291008)



sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Neuroticismo




Gritas comigo quando não te sei dizer qual é a bebida que desejo que tragas do supermercado. Ficas em silêncio a remoer o facto de “ele” ter aparecido de repente e eu ter-me demorado no olhar que lhe lancei, antes de me perder nos traços perfeitos que te desenham o rosto. Duvidas da sinceridade que demonstro em cada inspiração que te devolvo como forma de vida, ficas furioso se por momentos me distraio e perdes-te em devaneios irrisórios contestando a minha escolha que recaiu sobre ti. Não sei se me mentes ou se te enganas quando me prometes a eternidade que esqueces mal o piso perde a plenitude. Revoltas-te, chateias-te, amuas, desistes e entregas-me de mão beijada como se eu fosse um brinquedo já sem uso e só estivesse a ocupar espaço. É esse o valor que me dás quando eu te digo do fundo da minha alma que o amor que te tenho vai para além dos números que a matemática ensina. Afundas-te em ciúmes sem razão, em neuroticismos que eu vou amparando enquanto não perco a sanidade e começo a disparatar contigo ao ponto de te encheres de mim até ao fim dos teus dias.



*A tua flor*

(020109)

segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Como um conto de fadas



*E quando a noite já tinha devorado o dia e a lua já brilhava bem alto, ela olhou para ele e disse:


- Preciso de sair. Passear, sonhar, correr o mundo… Ver uma história de príncipes e princesas e mundos encantados. De sonhar e de deixar todos os meus tormentos do lado de fora.
- E então?! Porque é que não vamos?!? E
u acompanho-te nessa tua (nossa?) viagem.






- Não posso. Não consigo. Estou presa dentro de mim p
rópria.
- Eu levo-te. Seguro-te nos meus braços, tu encostas a tua face no meu peito e eu protejo-te, conto-te uma história com príncipes, princesas e um mundo encantado. Sussurro-te a história como eu a vejo, não como tu a vês ou como ela é.






- Gostava de ver o mundo com esses teus olhos… És mais racional, razoável, lógico. Eu sou uma eterna sonhadora, lunática, utópica, aluada (quem é que ainda acredita em histórias de encantar?!) . . . Porém, são tão brilhantes como os de um menino de 10 anos, cheios de sonhos e planos… Mas ao mesmo tempo tão distantes de mim.






- Tudo o que eu vejo és tu. Tu preenches o meu eu. Tu és aquela que eu nunca esqueço, nem mesmo quando não me quero lembrar! E o meu mundo… o meu mundo não existe sem ti!
-
Tenho (tanto) medo… Medo que um dia me voltes a abandonar nesta cama imensa e fria. Medo de não te conseguir entender. De ver o mundo com uns olhos diferentes dos teus. Tenho medo quando finges que queres ficar… Quando finges que és feliz ao meu lado.

- Mas eu quero ficar! Eu sou feliz contigo, apesar de não saber bem o que é a felicidade (ninguém sabe…). Eu não finjo quando estou ao teu lado.
- Finges… Finges quando dizes que vamos ficar juntos para sempre. Quando dizes que sabes o quanto me magoas quando te vais embora, quando dizes que está tudo bem. Finges que não sabes que a tua ausência me gela a alma e me sufoca o coração.

- Pensei que sabias que te amo. Se calhar já não acreditas em mim… Mas foste a única que eu aprendi a amar.

- Eu só queria fugir… Saltar desta cama… Correr o mundo… Ser livre… Adormecer em teus braços.
- Eu adoro-te.
- Eu sei… No fundo eu sei!






- Amanhã, eu conto-te a história de encantar mais bela que alguma vez eu conheci.
- Sério?!

- Sério!!!
-Tipo conto de fadas?!?

- Sim. Com príncipes, princesas num mundo encantado!

- E quem são as personagens?! E esse mundo… Onde é?!
-Somos nós no nosso mundo mágico. . . !



Uma lágrima rolou até se desfazer nos lençóis… Ela deitou suavemente a sua face no peito dele, ele abraçou-a com ternura, e ela adormeceu com um sorriso estampado no rosto, sonhando que era livre como uma borboleta. . . !*


*A tua flor*
(26306)

sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Até já...


O vento bate na janela e eu não consigo adormecer. Levanto-me e vagueio pela casa, sinto os meus pés a pisarem o chão frio e um arrepio percorre o meu corpo. Já se passaram três meses, desde aquela tarde fria, triste e chuvosa em que te foste embora.

Não estava à espera da tua partida. Tudo me parecia bem. Éramos felizes, passávamos a vida a rir, divertíamo-nos como ninguém. Sorríamos até das coisas ma
is sérias. Fazias-me feliz, mesmo quando a vida me queria fazer triste. (A minha felicidade era notória). E nunca me cansava de ti, dessa tua forma de encarar a vida, preferias agir em vez de pensar. Sabias-me amar como ninguém. E nunca me falavas do teu amor, em vez disso, mostrava-lo com gestos embrulhados em carinho.

Contigo aprendi a viver o momento, a guardar o melhor de cada dia e a esperar pelo dia de amanhã sem nunca esperar nada dele. Adorava a tua voz grave e doce, as tuas mãos que me davam segurança, esse teu corpo de homem, (com esses ombros largos e esses abdominais todos moldados). Mas o que eu adorava ainda mais, eram esses teus olhos de menino de 10 anos, cheios de sonhos, planos e sempre cintilantes como as luzinhas de natal.

Guardaste-me no coração, e eu adorava viver lá dentro, mas quando foste para esse outro mun
do que eu desconheço, levaste-me contigo. Ficou apenas o corpo vazio… sem sonhos, sem cor, sem reacção, sem alma. (Hoje não vivo, sobrevivo, e espero ansiosamente pelo dia em que te voltarei a encontrar).

Lembro-me perfeitamente no dia em que ela veio e te levou, num acidente estúpido e com o qual eu ainda não me conformei. Mas o mais estranho nisto tudo, é que no fundo eu sempre soube que ela um dia te ia encontrar nessas tuas corridas. Ainda hoje, (quando ligo a televisão, e vejo aqueles carros a alta velocidade) sinto o meu coração apertadinho e fico com a respiração presa po
r um fio. Tenho saudades tuas, e sinto falta desse teu sorriso contagiante. Não consigo, nem te quero esquecer. A tua memória mantém-me viva e não me deixa ficar ainda mais vazia. Mas mesmo que te quisesse esquecer, não iria conseguir. Ficaste-me preso não só na mente e no coração mas também na pele. Ainda vives nesta casa, em cada canto há um pedaço teu. E sempre que abro aquela porta ouço a tua voz quase que sussurrada a dizer:









-Até já, princesa…!







*A tua flor*

(1206)

segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Esse Perfume

Ainda me percorre a alma, ainda me beija a pele. Persegue-me, agarra-me, muda o meu rumo, prende-me os movimentos e não me deixa dormir. O cheiro desse perfume confunde-me os sentidos, não sai do meu corpo, não me dá descanso. Flutua à minha volta, deixa-me tonta de tanto rodopiar sobre mim mesma, despe-me sem me tocar e deixa-me assim, descobertas as memórias não esquecidas. O cheiro do teu perfume invade-me, envolve-me, acaricia-me. Faz-me ver-te de olhos fechados, faz-me sentir-te sem sequer tocares a epiderme do meu ser. Levo-me para dentro de ti e imagino como seria se tudo não passa-se de pura imaginação. As minhas mãos procuram-te em vão, onde sabem que não te vão encontrar, abraçam o ar que se vai escapando entre os dedos. O cheiro desse perfume…faz-me voar para perto de ti. Lembro-me do que fui, derramo os instantes de cada um dos nossos momentos, para a pequena caixinha feita de cristal que guardo onde o sangue se regenera.


Fazes-te sentir em mim…

No cheiro desse Teu perfume…



*A tua flor*
(180307)

segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

It's only love


O amor é uma coisa e a vida é outra, dois mundos que caminham paralelamente de forma distinta. Mas conseguirias imaginar se em alguma curva do rio estes se cruzassem? A vida não seria mais pintada de cinzento, reduzida às horas impostas pelos ponteiros do relógio que nunca pára nem para recuperarmos o fôlego. O amor não faz parte da vida, por isso a nossa deliciosa fascinação nunca nos cansa, porque o amor verdadeiro nunca se esgota demonstra-se nas palavras, nos beijos, nos gestos e não cabe em nenhum, porque não se conta, não se mede é uma caixa vazia que se enche todos os dias para se dar. A vida e o amor são coisas diferentes, amar alguém é viver de novo, tem que se aprender a respirar, a falar, a escrever, a andar e tudo é novidade. Ao contrário da vida o amor não tem objectivos, nem contratos a prazo, ele vagueia por caminhos que nem ele próprio conhece e leva-nos por aí a pairar a dois palmos do chão com a cabeça na lua e o coração nas mãos. Não se ama “porque”, ama-se “apesar de”. Ama-se apenas porque se ama. O amor é complexamente simples, não tem razão, não guarda rancor, nem pede luxúria, é omnipresente e está sempre lá para nos receber de braços abertos nos aconchegar os cobertores e deixar-nos sonhar.

O amor não tem preço, nem idade mas tem um valor inestimável porque nunca envelhece. O amor é a pedra filosofal da vida.


*A tua flor*

(301108)

terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Uma dança só nossa

Hoje voltei a encontrar-te, tínhamos mais uma vez os dois corpos juntos e suados, movendo-se num compasso ora lento, ora rápido. Naquela dança onde a música nos grita num silêncio que só nós ouvimos, naquele palco onde a dor se mistura com o prazer. Despertas-me desejos com carícias ardentes que as tuas mãos me oferecem movidas por uma sintonia que flui para além de nós. Ambos os corpos excitados transpiram de prazer, enquanto tu viajas com a tua boca pela minha pele e me arrancas suspiros, eu beijo-te o pescoço e vou percorrendo a tua orelha com beijos e meiguices levando-te assim à loucura. Os lábios encontram-se e a tua língua toca-me suavemente como se me quisesse acordar de mansinho e em escassos minutos consegues levar-me ao êxtase. No ar espalha-se o perfume que os nossos corpos emanam enquanto se vão tocando com delicadeza. Aqui o tempo pára, o real deixa de existir, o palpável deixa de o ser, é um mundo só nosso e nele prevalecem as nossas regras, providas de uma sensatez que só quem ama consegue entender. As nossas almas unem-se sugadas uma pela outra, enquanto os nossos corpos formam um só num encaixe perfeito como duas peças de um puzzle. As nossas mãos encontram-se, os nossos lábios beijam-se, as línguas enlaçam-se e acabamos por nos beijarmos para além da boca, os olhos fechados, a respiração ofegante, os corpos entrelaçados seguindo a sinfonia do desejo, compondo assim de improviso a dança mais bela alguma vez vista.


*A tua flor*
(130906)


-Vamos dançar meu príncipe?! =)

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Desfalecer


Acusas-me de não ser perfeita, de não falar como escrevo, “ se falasses com um terço da expressividade com que escreves tudo seria muito mais fácil… muito melhor.” Criticas-me, esbofeteias-me com palavras insensíveis como se por não falar eu também não sentisse. Achas-te o dono da razão como se ela fosse sempre tua, como se a verdade fosse só uma e única, como se eu não tentasse e ficas frio mais gelado que um iceberg nos confins do árctico. E eu dou-me a raiva que desperta, ao desconforto, e ao inconformismo de ser tratada como se fosse lixo. Dei-te um amor puro, incondicional e intemporal sem te cobrar uma mudança, sem te pedir para derreteres mesmo depois de me deixares enregelada. Deixamo-nos enrolar num mar de lamentações e acusações que nos desgastam o humor e o amor. Desvendo essa tua fragilidade parva que demonstras sem ensaios nem estreias nas afrontas que me diriges para te sentires melhor contigo mesmo e pior comigo, como uma desculpa para não sei o quê. Esqueces-te que eu te conheço demasiado bem meu querido, que sei de cor esse rosto escondido atrás de uma máscara desprovida de emoções lamechas como tu lhes chamas, e que eu já toquei gotas desse lago perdido que vive dentro de ti. Se eles soubessem o quanto os enganas e iludes com o teu ar patético de super-homem, que eles são apenas o publico com quem te divertes bonecos de sorriso e conquista fácil, demasiado fácil. Eles lá vão dançando ao som da tua voz correspondendo aos teus comandos. E eu, suposta musa inspiradora do teu ser vou vivendo na sombra recôndita enquanto os outros se exauram em gargalhadas ditosas tão enganadoras como a felicidade que (hoje) emana de ti.


*A tua flor*

(261008)

domingo, 16 de Novembro de 2008

Como se não houvesse amor



E o rio que corre nunca mais volta, e tudo que vai não pára e não adianta apressares o passo tropeçares atrás dele, mesmo que o agarres a água escapa-te entre os dedos numa leveza insensível e cai na terra já húmida, onde um dia poderá nascer a flor ou apenas mais uma poça de lama, onde numa noite chuvosa te poderás enterrar ate afogares as mágoas e a vida que há em ti, ou a falta dela. Não há socorro possível, não há mão que te salve de ti mesma, já não há voz para gritar uma causa perdida, um choro mansinho com soluços aflitivos. É um tsunami gigante de lágrimas magoadas que te desabam como um sopro num fósforo agora apagado. Enquanto andas à deriva rodeada de fotografias de tempos outrora felizes tão longínquos como os anos-luz que separam a terra do sol, mas não te sai esse sorriso gravado no rosto que um dia ele te desenhou com traços finos e delicados tão perfeitos e inimitáveis que se tornaram míticos. É por isso que hoje te cai o mundo aos pés só para te contemplar de perto enquanto tu choras o cinismo que ele emana com uma frieza que te fere a pele e te destrói o coração e nem que inventem uma cola-corações ou um aspirador de mágoa te livrarás desse ácido que te corroeu a alma (como se ela não fosse eu como se ele não fosses tu como se não houvesse um amor imenso (e doloroso) entre nós.)
*A tua flor*
(241008)

sábado, 15 de Novembro de 2008

Lembras-te...

Lembras-te…

Quando corríamos, fugíamos no tempo apenas para mergulharmos no olhar um do outro, e eu sorria incansavelmente das tuas histórias mirabolantes de guerreiros imaginários que salvavam o mundo da hipocrisia dos que passavam sempre apressados. E nos abraçávamos no campo da bola enquanto eu acertava constantemente entre o aro do cesto, e nem a chuva miudinha que se entranhava nas sapatinhas novas e no cabelo perfeito de quem tinha passado tantas horas em frente ao espelho me separava do teu peito molhado com um “tum, tum” descompassado que me aconchegava a espinha dorsal e a clavícula onde o teu queixo pousava e me sussurrava ao ouvido palavras que eu ainda não sabia escutar. Tu prometias-me algo que dizias durar para sempre, algo que ainda não era amor e que para quem o “para sempre” era longe demais, e a felicidade era assim trazida pela chuva e pelas palavras sem grande significado, embrulhadas por um abraço de laço bem dado que nem o vento frio desapertava. E o quanto me irritara aquele beijo que me roubaras e mal eu sabia que para ti melhor beijo não haveria se não aquele que fora tão desejado e com tanto esforço e coragem conseguido, para mim já era muito, já era demais enquanto para ti fora pouco, um quase nada que te fizera florescer um sorriso de cristal quase eufórico e para alem do feliz nesse teu rosto de menino. Entrelaçávamos os dedos já dormentes do tempo gelado que previa o futuro de uma história ainda por começar e com tanto para dizer e mal eu sabia que aquele beijo fugidio seria o primeiro, o primeiro de muitos que me fariam pairar e levitar sempre envolta pelos teus braços que não me deixavam perder o chão nem tropeçar nele.
*A tua flor*
(231008)