Sábado, 2 de Abril de 2011

Em descompostura



Digo-te já, que te quero com a avidez e a voracidade do aqui e agora, numa luxúria sumptuosa sem romance ou lirismo poético adjacente. Quero-te em tom de capricho a satisfazer-me o lado lunar, sem alegorias e roçando a vaidade irracional que o ‘amor’ não se intelectualiza, nem se conjectura. Cravar-te as unhas na pele, prender-te pela nuca, adornar-te a cintura com as minhas pernas e a tua barba a arranhar-me em lugares côncavos, com um sorriso desenhado nos lábios a arrepiar-me atrás do lóbulo da orelha. ‘Dá-me-te’ com despudor, sem teorias platónicas, metáforas ou aforismos. Vamos alinhar os chakras! Chega de amores exíguos com receio do infame. Deixa-me explicar-te, que me é indispensável de às vezes, os dois sermos um só! Que a apneia com que nos comprazemos, quando os teus dedos se perdem entre os meus fios de cabelo embaraçado, é o suficiente para acabar com a fome e originar a paz no mundo. Que a forma com que ostensivamente me despes em jeito de contemplação, enquanto soluço o teu nome em laivos de prazer, diminui o aquecimento global e que é quando amiúde me seguras de encontro a ti, em posturas de ângulos utópicos que leva ao ajuste do movimento translativo. Por isso, vamos em descompostura sabermo-nos por inteiro, ousar atar o sol, roubar a ordem do tempo e almejar o infinito, porque o meu desejo não se acomoda com a metade.


*flor*

(2411)




foto por: ana dias

Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

Resquícios


Que nem sempre te lembro é um facto. Não me és necessário, a não ser quando me atinge a ressaca indelicada de te saber a existência. Como o forro da minha saia travada, dás o ar da tua graça em momentos impróprios, quando me cruzo e descruzo numa dança de sedução implícita e delicada nos encontros furtivos da idade da inocência. Mas não tenho vergonha, nem sequer me fazes embaraço, há muito que te carrego entre as pernas, essas que tantas vezes se abriram para ti em momentos de sorrisos deveras insanos. Não me incomoda, que te encontrem nelas ou onde for, sei dar-te a volta com a rapidez de uma hélice, sem desfraldar a camisa ou desgrenhar um fio de cabelo. A juventude apagou-se como uma estrela cadente, essa que brilhou mais do que o que lhe era devido e todos sabemos que as estrelas mais brilhantes são também as mais fugazes. Os filhos cresceram, os meus e os teus, nenhum deles chegou a ser nosso, não nos demos tempo no nosso passado sincopado. Agora, simplesmente, já se faz tarde para danças mundanas a discos pedidos. Não mais irás cortar o ar que respiro, despires-me de preconceitos (que não me habitam) ou intrometeres-te no ângulo obtuso entre os meus joelhos. Seguimos como linhas paralelas e encontramo-nos por aí, quem sabe em festas do colégio como esta, onde a tua mulher se pela de medo que dês um passo em falso, sabendo que é missão suicida, que nunca deixei de te atravessar como uma bala e que mesmo cessando as investidas vou acumulando estilhaços pré-históricos em ti. Entre mortos e feridos, não sairemos ilesos. Quanto a mim, espero que continues a passar só de raspão, como a comichão de uma lembrança fora de prazo. Resquícios teus a cada aurora, porque nunca te enterrei, não por falta de vontade ou escassez de tentativas. Sorri para as fotos como pai babado que és e eu prometo, sem cruzar o médio com o indicador que não faço troça de ti quando trocares as mãos pelos pés na dança de honra. E acabemos com os olhares cheios de devoção nostálgica, o tango não se dança a três e os nossos passos nunca foram verticalmente sincronizados!








*flor*

(5211)

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Questionável casualidade


Conhecemo-nos casualmente, num dia vulgar do calendário semanal. Nem sei se sol, se chuva, se o vento murmurava em correria. Somente, casualmente. E hoje, com sinceridade te confesso que esse teu desacreditar na casualidade me envolve continuamente num manto de suave perspicácia cautelosa. Um véu de lucidez, talvez, que o acaso só existe quando ninguém reclama os direitos de autor e tu nunca prescindiste dos teus. Dizes-me que entre nós existe uma contínua inexistência de coincidências. Que já éramos para ser. Nesse vislumbre budista que te assalta de improviso em nuances de Karma. Somos o desaguar, não sei se tu, se eu, se os dois, é um não é mar mas tem gosto a sal. Indistinguível o meu fim, indecifrável o teu começo. Ambos um embaralhado de fortuito bom gosto. Uma sorte, pensando bem, quantos seres neste mundo vago se encontram? Uma coincidência, digo eu. E começas tu a ler-me sinais num tom de contradição, falando-me até no alinhamento perfeito do mundo estrelar, imagina, circunvagando assim incessantemente o meu cepticismo. Não nos consideraste precoces, recém-nascidos prematuros, vínhamos prescritos. Ao passado nunca o vislumbraste efémero, ao tempo que se afigura dizes que não nos chega. A espera revelou-se deveras prolongada, uma cruel e desmerecida ausência de vestígios, de meros indícios para nos sabermos. Chegaste-me trivialmente, mera brisa a deslizar nos meus dias ordinários, esvoaçando o meu sorriso. Encontro casual o nosso, apenas por acaso digo eu, descrente nessas coisas do Tarot, do Mapa Astral ou na combinação puzzle dos signos. E agora, enterneces-me em reminiscências constantes da tua presença, no fim de uma frase, num gesto rotineiro e um cheiro familiar. Só tu, tu, tu… Envolvente, contagiante, constante, bruma deliciosa, inabalável pelo tic-tac ‘relogiano’. Doce devoção bastando-se a si mesma. Que já éramos para ser. Convenço-me eu nas tintas para o cliché.


*flor*

(131210)

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

Retalhos IV

Não te faças demorar.
Vem comigo encurtar-nos a distância.
Envolve-me com um sopro, despeja os bolsos
(dessa tua vida cheia de falta de nós)
em cima da mesa.
Agora,
vem desarrumar-me o cabelo,
borrar-me a pintura e amachucar-me a roupa,
acabando de uma só vez com a minha vaidade.
Vamos falar sem nexo, sorrir em exagero,
sentir-nos chegar ao limiar da exaustão.
Até que a lua se renda aos primeiros raios da manhã,
a entrarem sem pudor pela janela do quarto.
E no final,
de olhos semicerrados ordenados de sonhos,
com os passos já a arrastarem-se pelo chão,
a nudez da minha alma se encontre desmaiada,
aconchegada pela tua.

*flor*
(221010)

Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Pensamentos soltos II


O tic-tac do relógio como pano de fundo sempre a zumbir no quarto vazio. Lá fora a chuva de Outono a cair na calçada e os carros a passar de longe a longe, apressados, chapinando nas poças de água espalhadas pela estrada. Uma luz difusa do candeeiro pousado na mesa-de-cabeceira e uns pontos a reluzirem para lá da janela. O chão povoado pelo meu corpo colado no tapete das flores e os olhos pregados no tecto, contando as estrelas que não sucumbiram à força da gravidade. Neste subterfúgio, qualquer coisa me serve para uma tentativa falhada de atraiçoar a saudade que me murmura: ‘Gosto de ti’…

Bonito eufemismo. Nunca te tornas velho cliché e os minutos que te antecedem a chegada, quebram repetidamente à contagem inicial. És sempre a minha primeira vez.


*flor*

(131110)

Domingo, 7 de Novembro de 2010

Há dias assim



Às vezes ainda me perco dentro de mim mesma com o mero intuito de te reencontrar. Já não te anseio nos meus dias, nem te desejo nas vírgulas dos próximos capítulos. Não passa tudo de um velho hábito que eu vou despindo devagar, para que nenhum movimento brusco leve mais do que é devido e não acabe com a alma numa chaga viva. Continuo a escrever-te em voz baixa, no tom doce e franco que sempre te dediquei. Não sei, se algum dia as palavras que te escrevo chegar-se-ão a esgotar, há muito que não desperdiço tempo com futurismos desenhados segundo a tua imagem. É certo, que ainda te uso descaradamente para ocupar os espaços em branco, que de tempos em tempos me assolam. Como uma criança vou moldando a plasticina do teu ser ao meu belo gosto, mas já não te construo no meu destino como quem brinca com Legos e na minha casa de bonecas tu agora não fazes parte da família. Nunca deixei de admirar o teu jeito descarado de me corromper os dias, a tua forma descontraída de me roubar sorrisos e o teu charme natural e perigoso, de tão facilmente gostável. No entanto, existe pouco que ainda nos sustente nestes tempos de crise, aos cortes que fizemos não sei o porquê de ainda nos sobrarmos tanto. Só as fotografias é que não desbotaram as cores artisticamente combinadas nos passepartouts (algures) perdidos pela casa. Do que era, pouco nos restou e o que não se diluiu no tempo, foi-se arrumando onde doía menos. Hoje, só vivemos lado a lado nas bocas do mundo, mas um dia até elas calar-se-ão. Deixaremos de ser notícia de primeira página, com o título em letras gordas. A amnésia é um mal geral, porém, de vez em quando bate-me à porta esta minha imunidade a epidemias.


*flor*

(251010)

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Retalhos III


Abraças-me com o olhar e começas a perder-te em mim,
enquanto os meus lábios te beijam distantes na lembrança de te sentir.
Permanecemos assim,
numa conexão sem toque,
a sorver a insaciável presença do outro
com o peito ansioso,
apertado e sangrando de saudade,
numa antecipação da despedida.


*flor*
(181010)

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Agora já é tarde


Há coisas que nunca mudam, amores que nunca acabam, ‘para sempre’ que se concretizam e a tua presença disfarçada nos meus dias. Há coisas que se mimetizam, o teu nome a piscar no ecrã do telemóvel, ele a vibrar urgente da minha atenção e a minha apatia, aparente, agasalhada pelo ‘deve ser engano’! Ainda te lembras de mim? Talvez o controlo te tenha escapado entre os dedos e numa fugaz coincidência, se tenha aconchegado no meu nome, perdido algures no meio da lista telefónica. Será que me esqueci de algo, por aí? Quem sabe, o meu coração amolgado, vestido de pó e remendos mal amanhados. Fico assim a cismar, o que poderá ser. Provavelmente mais uma aposta com um amigo, desta vez ganhavas se a parva, trémula e com a alma em alvoroço te desse logo atenção e nem deixasse o telemóvel (tadinho), matar as saudades de um velho companheiro de conversas. Ainda deves viver com trivialidades a passear de mão dada contigo na vaga ideia fútil de te terem saqueado o coração. Afinal, há coisas que nunca mudam, poucas, é certo, mas o teu jeito para me aldrabar e a minha boa vontade inocente, ou será indecente? Esses, ainda por cá andam, na mesma pasmaceira de sempre. E tu, que me conheces, invades-me o dia assim, logo pelo fim(zinho) da manhã e no mesmo instante, imagino o embaraço, a língua enrolada e as palavras já gastas, do tempo que nos escoltou no passado, a saírem em esforço e a fala a arrastar-se pelo chão do quarto já tonto, das voltas e contravoltas que os meus pés por si só decidiram dar. Entras no meu dia num looping perfeito, transformando-o numa Montanha Russa e eu fecho-te a porta antes que a segurança falhe. Poupo-te os sorrisos de circunstância e a conversa encenada, desembaraçando o nó que me deste no estômago. Mordo o lábio inferior, cruzo os dedos, julgando-te um mero falso alarme. Há muito que já não me deves desculpas, nem eu te devo perdões. Deixo tocar, até tudo ficar mudo, surdo e a desordem acalmar. Depois mandas mensagem, despejas o recado na caixa de Voice-mail ou desistes da ideia. Afinal de contas, hoje nem é 1 de Abril! E no fundo apenas te estejas a enganar a ti mesmo, porque eu já não te sirvo de engodo para levantar o ego ou empatar o tédio.


*flor*

(151010)

Sábado, 9 de Outubro de 2010

Retalhos II


E por vezes deixar-me em silêncio numa combinação muda de fonemas
que se calam no derradeiro segundo que antecede o teu beijo.
Eu a gritar-te num sussurro afónico para tu ouvires o que não te sei dizer.
Enquanto me roubas o fôlego e me trancas o coração na boca,
pronto a embalar-te com as palavras do amor que ainda não te contei,
mas que já é teu,
mesmo sem dele nada saberes.


*flor*
(10910)

Domingo, 26 de Setembro de 2010

Fim do dia


Aguardo-te sempre entre a tua quase partida e a tua ansiada chegada, dispersa, absorta em nada, sentada junto de mesas coloridas e pessoas estranhas a cirandar em meu redor como formigas em alvoroço. E aquele cheiro a fritos e fast-food a pairar no ar, a entranhar-se no cabelo apanhado e nas roupas lavadas, perfumadas de flores. Aguardo que me imprimas a tinta permanente um sorriso no meu rosto cansado, que laves tudo com a tua passagem, transbordando as minhas margens e o meu caminho seja de pétalas, sol e passarinhos cantando em sintonia uma melodia já conhecida. Serás então o fim de tarde do meu carecido dia, aqui ser-me-ás o presente, aquele que não se encontra num qualquer espaço do tempo esquecido numa prateleira poeirenta de uma loja do centro comercial mais próximo. Aguardo-te, espero-te e de súbito temo que não venhas, que te percas nos trilhos ainda por traçar ou tropeces inesperadamente numa festa nas costas, um encosto de ombro ou um cumprimento sedutor mais descaído na tua bochecha corada. E numa partida de mau gosto, nesta vida de troca voltas tu nunca mais voltes para mim. Por isso não te faças demorar, vem rondar-me a solidão e gastar-me a teimosia de fio a pavio, porque agora é Outono e as vagas de frio já se fazem sentir. Vem mimar-me com beijinhos de esquimó na minha ponta do nariz já vermelha e enrolar-te delicadamente em mim como um cachecol de lã. Assim saberei que não mais me deitarei sozinha, nem voltarei a adormecer com a tua ausência grudada no lado esquerdo da cama.


*flor*
(27910)

Domingo, 12 de Setembro de 2010

Retalhos I




Aqui onde me deixaste,
não há estrelas e as ruas não têm nome.

Não cheira a flores e os pássaros não dormem nos beirais.
Os relógios correm desgovernados e o Sol não me sorri pela manhã.
Aqui anoiteço sozinha e reinvento-me...
sem a ponta dos teus dedos a arrepiarem-me a pele.



*flor*
(30810
)

Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

Deixar correr


Surgiste-me inesperado num dia corriqueiro do calendário semanal. Eras-me uma vez um estranho e na vaga impossibilidade do mundo, recheado de encontrões desencontrados e linhas cruzadas que nunca se tocam transformaste o teu rosto numa imagem familiar. Há coisas assim, que começam do nada, nos chegam sem aviso prévio e se arrumam na nossa vida num encaixe perfeito e natural como duas peças do mesmo puzzle. És a boa nova que me chegou, numa brisa suave que se instalou graciosamente no momento certo na hora exacta, nesse fenómeno estranho a que chamam ‘sintonia’. Um desejo de ano novo que não passa, um sorriso que não se desfaz, uma fotografia bonita que o tempo não faz desbotar a cor, és-me tanto, do tanto de bom que existe. Gosto-te assim, nesta mansidão, neste desejo, com esta clarividência, num prenúncio de guerra e paz que te precede e que faz o meu riso cair na onda da felicidade fazendo com que o meu coração vá navegando via barco á vela no sopro da tua voz. Eu sôfrega de ti em desassossego, quando ao longe te desvendo o gingado, as borboletas num alvoroço a bater as asas contra as paredes do estômago e o peito a saltar-me fazendo tabela entre as costelas. Preciso-te neste ar que só nós sabemos suspirar. ‘Dá-me-te’ com urgência que te preciso assim, a descobrir-me pé ante pé, a gozar-me, abusar-me, usar-me nestes minutos que inventamos para sair fora do tempo. Abraça-me, aperta-me e lambe-me as feridas enquanto os meus gritos morrem no fundo da garganta abafados pela tua pele. Há pessoas assim, que nos chegam para nos salvar de nós mesmos, não no primeiro olhar nem no primeiro toque mas no vagar dos dias. Basta deixar correr e num pôr-do-sol encenado feito pintura, dar de caras com o sentido da vida pespegado na ponta do nariz. E pensar que me eras uma vez um estranho, agora sei o espaço exacto que os teus dedos ocupam entre os meus.



*flor*
(31810)
(DdA)


Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Chamam-lhe Saudade


Fazes-me falta, uma falta danada que nem imaginas. A tua ausência acarreta um tal travo amargo que me dura todo o dia sem cessar. Fico por aí jogada à minha má sorte, a encher os meus dias de espaços em branco só para que eles mudem de página e tu te encontres comigo já ali na próxima esquina. Começo a fazer contas de cabeça, eu que nem sou boa com os números nem tenho boa memória para datas, dou por mim a saber o tempo exacto que me separa da tua chegada. Fazes-me falta, sabias? Percebi agora mesmo, enquanto atravessava a rua e imaginei o teu sorriso a balançar no lado de lá à espera de me enlaçar o olhar e o meu passo a acelerar na esperança que me guardasses nalgum lugar debaixo da pele. Este anseio de chegar a ti e não te encontrar. Queria cruzar as minhas pernas com as tuas, entrelaçar os meus dedos com os teus num tamanho exagero que deixássemos de ser dois. Esta urgência de te sentir consome-me, arrelia-me, aborrece-me. A minha vida cronometrada ao segundo, a nossa distância medida ao centímetro e esta falta de ti, maldita que não passa. Queria entrar em transe, ficar de molho, pressionar o pause até este vazio passar, é que quanto mais o tempo passa mais teimo em te lembrar. E cada vez te lembro melhor. Dedico-me incansavelmente à cirurgia reconstrutiva, num vai e vem, puxa e empurra e corta e cose compondo-te em gestos, palavras e cheiros familiares. Fazes-me falta e para colmatar, hoje ainda te sei melhor do que ontem, graças a este esmiuçar dengoso de todas as imagens que te ilustram. Preciso que voltes depressa, como se tivesses só ido ali ao café do Sr. Francelino comprar cigarros para alimentar o vício depois do amor. Preciso de ti a desenhar-me o sorriso numa linha perfeita de bisturi. Preciso que estejas aqui, nem que seja só a fazer corpo presente, a ocupar espaço ou a gastar o ar. Fazes-me falta e isso é grave, tão grave como a crise económica, o aquecimento global ou a iminência da terceira guerra mundial. E enquanto isto não passa, fico eu aqui amputada a gerir saudades mal-resolvidas, desejando apenas acordar de manhã lado a lado com a tua pele, no perfeito contraste da minha, no véu harmonioso e incisivo desta felicidade que um dia num tiro às cegas de pim pam pum aleatório nos acertou em cheio.


*flor*
(5810)

(DdA)