Entraste apressado como um furacão perdido no tempo, a hora combinada já ia longe e o Sol punha-se, arrefecendo os seus raios no mar. Fui a primeira a abrir a porta depois de muitos anos em que eras tu que desesperavas com os meus atrasos sempre por demais prolongados. Desta vez a tua chegada não era ansiada, podia ter ficado dias, sentada naquela cadeira, vagueando o olhar pelas paredes envidraçadas e os dedos a bater no tampo da mesa de carvalho envernizado. A tua cara espelhada em cada em cada peça…o tempo fizera de ti um homem importante, quem diria? Choviam-te elogios, caiam-te aos pés como folhas caducas de Outono e tu abrias caminho entre os destroços, remavas contra a maré e não tinhas tempo a perder. As tuas horas tornaram-se escassas, a tua vida uma azáfama de compromissos inadiáveis e os teus dias pacíficos viraram uma roda-viva que não cessa. Vinhas acompanhado, morena de caracóis, uma pele resplandecente de porcelana e olhos claros, quase transparentes, se o nevoeiro não pairasse no fundo, revelando o sorriso falso e a simpatia fingida. Sentaram-se lado a lado, cúmplices, sérios e conscientes do que se seguiria. Não era mais do que um “negócio” rotineiro, procedimentos habituais e as burocracias do costume. Abris-te a pasta, de couro preto, retiraste os papéis imaculadamente brancos e deixaste que fosse ela a encarar-me com os seus conhecimentos superficiais sobre um assunto que não lhe dizia respeito. E pensar que me endividei por ti, desejei-te demais da conta e acabei na falência. Se fosse hoje… não mudava um traço rasurado do nosso esboço, uma palavra fora da linha, o nosso amor em desalinho e de novo os mesmos erros ortográficos de outrora como se nunca nos tivessem ensinado a conjugar os verbos nas formas correctas. Havia um vazio, um silêncio oco no fundo dos teus olhos, o teu corpo ausente de impaciência, nunca me fitaste, talvez com medo de te afundares nas lágrimas que só tu podias sentir a correr no fundo do meu peito. Assinei cada folha sem convicção e sem pressa, quando nos despedimos de uma parte de nós temos antes que chorar todas as lágrimas, desembaraçar cada nó e no mais íntimo de nós, abrir mão para regressarmos em paz à solidão dos dias. Pousei a caneta na mesa e com um jeito cuidado, terno até, pegas-te Nele ainda a bombear o ar como se porventura me pertence-se, colocaste-o numa caixa de cristal, contemplaste-o com admiração e o teu rosto brilhava de satisfação, Ele era forte, não se deixou abater, nem esmoreceu. Fechaste a caixa como um cofre-forte, levantaste-te e o teu andar de Príncipe Real não te abandonou, agora o meu bem mais precioso era teu, se não para sempre, enquanto os dias nascessem. No último instante, repousaste o teu olhar no meu, antes de fechares a porta, abraçaste-me demoradamente em segredo, afastaste-te a medo com um receio profundo de que ainda houvesse algum elo que nos ligasse e este se quebrasse no teu primeiro passo distante. Sorri-te com doçura, incentivando-te a partir com o meu olhar ainda a sussurrar-te saudades esquecidas. No momento em que os teus olhos se desenlaçaram dos meus, o pulsar no fundo da tua mão findou e a caixa pintou-se de um vermelho vivo, viraste-te num impulso rápido, à tua frente estava a minha cadeira vazia e uma Fénix renascida das cinzas voava no horizonte.quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010
Broken heart
Entraste apressado como um furacão perdido no tempo, a hora combinada já ia longe e o Sol punha-se, arrefecendo os seus raios no mar. Fui a primeira a abrir a porta depois de muitos anos em que eras tu que desesperavas com os meus atrasos sempre por demais prolongados. Desta vez a tua chegada não era ansiada, podia ter ficado dias, sentada naquela cadeira, vagueando o olhar pelas paredes envidraçadas e os dedos a bater no tampo da mesa de carvalho envernizado. A tua cara espelhada em cada em cada peça…o tempo fizera de ti um homem importante, quem diria? Choviam-te elogios, caiam-te aos pés como folhas caducas de Outono e tu abrias caminho entre os destroços, remavas contra a maré e não tinhas tempo a perder. As tuas horas tornaram-se escassas, a tua vida uma azáfama de compromissos inadiáveis e os teus dias pacíficos viraram uma roda-viva que não cessa. Vinhas acompanhado, morena de caracóis, uma pele resplandecente de porcelana e olhos claros, quase transparentes, se o nevoeiro não pairasse no fundo, revelando o sorriso falso e a simpatia fingida. Sentaram-se lado a lado, cúmplices, sérios e conscientes do que se seguiria. Não era mais do que um “negócio” rotineiro, procedimentos habituais e as burocracias do costume. Abris-te a pasta, de couro preto, retiraste os papéis imaculadamente brancos e deixaste que fosse ela a encarar-me com os seus conhecimentos superficiais sobre um assunto que não lhe dizia respeito. E pensar que me endividei por ti, desejei-te demais da conta e acabei na falência. Se fosse hoje… não mudava um traço rasurado do nosso esboço, uma palavra fora da linha, o nosso amor em desalinho e de novo os mesmos erros ortográficos de outrora como se nunca nos tivessem ensinado a conjugar os verbos nas formas correctas. Havia um vazio, um silêncio oco no fundo dos teus olhos, o teu corpo ausente de impaciência, nunca me fitaste, talvez com medo de te afundares nas lágrimas que só tu podias sentir a correr no fundo do meu peito. Assinei cada folha sem convicção e sem pressa, quando nos despedimos de uma parte de nós temos antes que chorar todas as lágrimas, desembaraçar cada nó e no mais íntimo de nós, abrir mão para regressarmos em paz à solidão dos dias. Pousei a caneta na mesa e com um jeito cuidado, terno até, pegas-te Nele ainda a bombear o ar como se porventura me pertence-se, colocaste-o numa caixa de cristal, contemplaste-o com admiração e o teu rosto brilhava de satisfação, Ele era forte, não se deixou abater, nem esmoreceu. Fechaste a caixa como um cofre-forte, levantaste-te e o teu andar de Príncipe Real não te abandonou, agora o meu bem mais precioso era teu, se não para sempre, enquanto os dias nascessem. No último instante, repousaste o teu olhar no meu, antes de fechares a porta, abraçaste-me demoradamente em segredo, afastaste-te a medo com um receio profundo de que ainda houvesse algum elo que nos ligasse e este se quebrasse no teu primeiro passo distante. Sorri-te com doçura, incentivando-te a partir com o meu olhar ainda a sussurrar-te saudades esquecidas. No momento em que os teus olhos se desenlaçaram dos meus, o pulsar no fundo da tua mão findou e a caixa pintou-se de um vermelho vivo, viraste-te num impulso rápido, à tua frente estava a minha cadeira vazia e uma Fénix renascida das cinzas voava no horizonte.segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
Leve desamparo de um doce sentimento


por isso, se tiverem alguma ideia gostava que me dissessem! =)
Beijinhos para todos e já agora um óptimo Natal* ^^
(22119)
domingo, 22 de Novembro de 2009
O nosso amor mudo


*A tua flor*
(1809)
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
É isso mesmo (saudade)


terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Princesa de algodão doce


domingo, 27 de Setembro de 2009
Naufragada em ti


sábado, 29 de Agosto de 2009
Chove agora

Vejo as gotas de chuva a deslizarem pelo vidro como se o beijassem em segredo. Se ainda fosse capaz de sentir diria que era o perfeito mimetismo do Passado em que os teus dedos percorriam o meu rosto com a suave leveza do toque, feito seda, sempre que secavas as doces lágrimas que de tempos em tempos habitavam em mim. Dou conta do meu corpo prostrado no chão em que partiste num silêncio ensurdecedor. Pressinto a tempestade, o cheiro a terra molhada, o tilintar das folhas das árvores a caírem de tristeza. Preciso de um banho quente, de despir estas roupas grudadas na pele arrepiada, desfazer-me deste odor a sal. Quando entrei reparei nas tuas malas abandonadas no hall dos quartos, fiquei petrificada e daqui não mais saí. A bagagem não é muita, nunca ocupaste muito espaço, não guardas muitos artefactos, nem bibelôs, levas apenas uma mala de viagem solitária e um mísero saco de couro envelhecido onde a minha alma se enclausurou cuidadosamente, com o intuito de nunca se apartar da tua. Já não te sinto dentro destas quatro paredes, se conseguisse falar isso seria facilmente constatado pelo som do meu eco longínquo. Lá fora chovem gotas pintadas pelas cores do arco-íris, o ar está frio e húmido, a brisa que corre apressada vai revirando os guarda-chuvas do avesso como esqueletos frágeis e desengonçados. As pessoas não se olham e o júbilo das crianças, a chapinharem nos Oásis espalhados pela rua, ecoam como miragens no deserto. Chove agora. E lá fora a vida continua, ninguém se lembra de ti, mas todos te trazem no olhar perdido, a mesma brincadeira do “toca e foge” nunca morre, hoje entram todos por uma porta que não pretendem fechar até saírem de novo amanhã de manhã. Aqui sabe-me a ti, como se o teu oxigénio ainda pairasse no íntimo das paredes desta casa e eu vou respirando-te em pequenos sopros de vida como uma reanimação assistida. Volta depressa meu amor, não me deixes mais agonizar na tua ausência, leva os teus restos, as tuas malas, o teu cheiro, o teu ar, cada pedaço que deixaste para trás e por favor, deixa-me morrer em paz, ou então, devolve-me o coração, porque eu não sei viver sem ele.

Sabia que isso é Plágio?

domingo, 23 de Agosto de 2009
. . . (Já cá não estás) . . .

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Se te amo...?

domingo, 2 de Agosto de 2009
Uma questão de gramática

Ontem...
sexta-feira, 10 de Julho de 2009
A espera

(1977)
sábado, 20 de Junho de 2009
É fácil saber

(20609)
sábado, 13 de Junho de 2009
Quando o tempo (não) passa

domingo, 31 de Maio de 2009
Confessa (Te)

terça-feira, 12 de Maio de 2009
Escrevo

(2547)
Beijinhos para todos
que sentiram a minha ausência!
E obrigada!
=)
segunda-feira, 6 de Abril de 2009
"Fica comigo esta noite" (desafio)

Fui desafiada pela Marisa já faz alguns diazitos mas aqui está...
Fui a biblioteca e peguei no primeiro livro que a minha mão tocou,como o livro não tem 161 páginas, abri na última e escolhi as duas últimas frases...
quarta-feira, 1 de Abril de 2009
domingo, 22 de Março de 2009
Diz-me coisas bonitas

Diz-me coisas bonitas, amor. Fala-me do céu, do mar, fala-me de nós. Conta-me histórias de “era uma vez…”. Diz-me que é para sempre, mesmo que seja só até amanhã de manhã. Conjuga o verbo amar na 1ª pessoa do plural. Fala-me de amor, amor. Conta-me loucuras insanas de amores impossíveis que um dia se concretizaram. Beija-me amor, beija-me e diz que me amas em silêncio. Fala-me de mundo encantados em que ninguém acredita. Fala-me de fadas, de castelos e casinhas de palha que nenhuma tempestade derruba. Diz-me coisas bonitas, amor. Fala-me de coisa meramente banais que ninguém consegue alcançar. Pinta um arco-íris no meu horizonte e promete-me sem promessas que os dias serão sempre assim. Diz-me coisas bonitas. Canta-me canções de amor escritas por ti, sussurra-me palavras secretas que ninguém pode ouvir e grita aos quatro ventos que as estrelas brilham para nós que somos loucos.
Olha-me nos olhos, encosta os teus lábios aos meus, põe as tuas mãos na minha cintura e diz-me coisas bonitas, meu amor.
*A tua flor*
(1837)
terça-feira, 10 de Março de 2009
O que nos une

E muitas vezes depende mesmo.
quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
Uma mulher como antigamente

Eu até quase que aposto que posso ser um mulher de família como aquelas de antigamente. Daquelas que lavam e estendem a roupa, limpam a casa com primor, fazem a cama de manhã quando ainda nem o sol despertou do sono depois de uma noite bem passada com a lua. Até quase que aposto que na minha casa não haveria um grãozinho de pó ou um único ácaro atrevido para atazanar a asma dos mais pequenos. E para encarnar a personagem na perfeição, seria uma cozinheira de mão cheia, de barriga sempre encostada ao fogão cheia de gordura no cabelo só para te satisfazer e te servir enquanto tu te afundavas no sofá a ver futebol de cerveja na mão. Eu até quase que aposto que seria uma esposa exemplar, que iria buscar os miúdos ao ATL, passava horas no hipermercado a fazer as compras do mês e por fim estaria sempre linda e maravilhosa sem gastar muito dinheiro e tempo no shopping e no cabeleireiro. Mas meu príncipe, eu até quase que aposto que isto não duraria nem uma semana, porque quem sabe fazer as compras do mês és tu, e tu é que cozinhas pratos de receitas inventadas pelos deuses que me regalam a vista e me enchem de gula, enquanto eu fico deitada no sofá e me perco em histórias imaginárias de livros que me ofereces de sorriso no rosto e mão no bolso. Porque passo horas em frente ao espelho enquanto tu te enfureces com a minha vaidade irritante depois de uma noite mal dormida mas bem passada e saímos de casa a correr atrasados (como sempre) para o encontro com o mundo que nos espera deixando os lençóis de linho branco ali à vista de todos e a casa por arrumar.

(250209)
domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Só tu
*A tua flor*
(020109)
domingo, 15 de Fevereiro de 2009
O que os homens temem

Os homens não têm medo da guerra nem do sangue, acho até no fundo de mim que não é o amor em si que lhes desperta a angústia. Não sou da opinião que os homens não sabem amar ou que amam pior e mais libertinamente que as mulheres. Mas a verdade é que no que toca a sofrer por amor nenhum homem as supera! Choram oceanos de lágrimas sofridas, fecham-se num mundo de recordações desgastam as fotografias do passado e sufocam o coração de mágoa e ressentimento. Morrem de amor como quem morre de doença crónica que se prolongou mais do que o esperado.
O que eu penso é que as mulheres têm muito a aprender com os homens que antes de morrerem matam e quando o sentimento os corrói transformam-no em pensamento e enterram o assunto. “A dor é inevitável o sofrimento é opcional” não é uma questão de insensibilidade mas sim de sobrevivência.
A pobreza e a fome também não é algo que os apoquente se bem que a falta da televisão e da playstation os deixe com suores frios e de respiração ofegante lá arranjam a solução na casa do amigo do peito e ainda levam uma cervejinha como bónus!
De facto não há dúvidas de que os homens têm medo daquilo que não entendem por isso morrem de medo das mulheres principalmente daquela que amam. Neste campo não há amigo mais amigo que o salve porque nenhum homem até hoje se mostrou apto para perceber o infindável mundo das mulheres. Apesar da soberania, do poder, da força e do domínio eles têm medo delas, as sensíveis, delicadas e doces mulheres que morrem de amor por eles e os fazem tremer de medo de se apaixonarem por elas.

(130209)
sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Entre dois mundos

Quando um dia tive a coragem de chegar perto desse teu paraíso encantado, tu fascinaste-me com a tua alegria e encantaste-me com esse teu jeito delicado e sedutor. És a simpatia em pessoa, és a menina dos meus olhos e tens um interior lindo! Mas será que não podes deixar, por um dia que seja esse teu mundinho encantado onde tudo é como tu imaginas e não como as coisas são na realidade? É que esses dois mundos onde tu vives estão numa guerra constante. E por muito que tentes, nunca vais conseguir conciliar o teu mundo perfeito com o mundo real. Andas numa luta perdida. E talvez seja por isso que todos os dias o teu sorriso se vai desvanecendo mais um pouco e o teu olhar fica cada vez mais embaciado. Pára por um instante! Desce dessa tua nuvem cor-de-rosa porque se não o fizeres este mundo acabará por te destruir. Tu irás perder a guerra de vez e eu vou perder a minha princesa encantada.
Chega aqui… senta-te no meu colo, dá-me a mão eu prometo que te protejo de tudo que te possa magoar. Anda ver como o céu é bonito daqui de baixo. Olha as estrelas. São parecidas contigo. Anda partilhar os teus sonhos comigo. Vê a lua… parece uma enorme bola! Reparas-te como ela brilha?! Estás a ver?! A vida também tem coisas bonitas fora desse mundinho onde tudo é como tu desejas e onde só entra quem tu queres.
Será que a tua nuvem não tem um cordel que eu possa puxar para te trazer para perto de mim?! Anda sentar-te no meu colo, eu quero mostrar-te que a vida também pode ser um conto de fadas. Como esse onde te fechas-te para te esconderes do mundo e fugires às coisas más.

(311205)
(Não pus aspas
apenas por opção literária)
sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Hoje...
(Dia 29 de Janeiro fiz 20 anos... Como o tempo passa..!)
(250109)
terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Uma dança delicada
Às vezes avançamos, noutras temos que recuar…Porque numa relação não existe um director, é uma dança delicada de puxar e empurrar, direita esquerda, cima baixo, mas nós aguentamos. Porque no fim do dia não queremos dançar sozinhos.
segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Os desejos (desafio)...
Ter mais tempo livre, para a dança e para dar atenção aquelas pessoas importantes.
Viajar muito, é das coisas que mais amo na vida, tenho pena de não poder fazer mais vezes.
Ler ainda mais!! Porque amo e é sempre uma boa forma de viajar por outros mundos.
Ser muito menos sensível, nunca conheci nenhuma pessoa como eu, qualquer coisa me magoa, por qualquer coisa choro (tanto feliz como infeliz), qualquer coisa me "toca"...Como (me) dizem “Sou (és) uma flor de estufa.”… (quero deixar de ser).
Acabar o segundo semestre com uma boa média, mas já percebi que para isso vou ter que começar a estudar (não gosto nada), se não, não consigo tirar mais de 16 nos testes…
Perder o medo e Tirar a carta de condução!!! Vão fazer 2 anos que o dinheiro está no banco à espera!!
Rir muito!! =D (Palavras para quê??!)
Continuar a ser feliz!!!*
Acho que é isto… Se não for ao longo do ano perceberei! Digo eu!*
segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
Tempos...

É-me tão fácil voltar a recordar aqueles tempos em que tudo reluzia com um simples toque do olhar, onde as probabilidades eram muitas e as possibilidades mais do que certezas. Chegamos a ponderar todas as hipóteses? Talvez não. Esquecemo-nos que o "para sempre" nunca é eterno, a não ser nas histórias de encantar que eu passava os dias a ver sentada no sofá aconchegada numa manta cor-de-rosa cheia de florzinhas. A nossa história pouco tem de encantada, mas bem que podia ter sido uma inspiração para algum poeta suficientemente sonhador (e louco) para acreditar nela e a tornar um marco da literatura. Longe vão os tempos em que tudo era entendimento, hoje pagamos caro a distância de mundos tão diferentes como os nossos. Carregamos na alma o peso de termos sido tanto (o difícil é sermos demais e nunca de menos), de termos ido tão longe e vermos os outros tão pequeninos ao ponto de desaparecerem, sem perceberem de que massa éramos (somos) feitos, de que matéria era (é) o nosso amor incondicional e turbulento onde nem sempre a tempestade antecedia (antecede) a calmaria. Desvendamo-nos demasiado, conhecíamos os lugares mais recônditos do nosso ser (tu do meu, eu do teu), percebemos demasiado tarde que não há paz no conhecimento, apenas uma consciência mais apta para sofrer por compreender excessivamente. Sabes que te corro nas veias, que te dou vida ao coração, que te faço crescer borboletas no estômago com o meu perfume adocicado que te irá inquietar o resto dos dias.
(241008)
terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
Amei-te antes, muito antes

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
Neuroticismo
*A tua flor*
(020109)
segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
Como um conto de fadas

*E quando a noite já tinha devorado o dia e a lua já brilhava bem alto, ela olhou para ele e disse:
- Preciso de sair. Passear, sonhar, correr o mundo… Ver uma história de príncipes e princesas e mundos encantados. De sonhar e de deixar todos os meus tormentos do lado de fora.
- E então?! Porque é que não vamos?!? Eu acompanho-te nessa tua (nossa?) viagem.

- Não posso. Não consigo. Estou presa dentro de mim própria.
- Eu levo-te. Seguro-te nos meus braços, tu encostas a tua face no meu peito e eu protejo-te, conto-te uma história com príncipes, princesas e um mundo encantado. Sussurro-te a história como eu a vejo, não como tu a vês ou como ela é.

- Gostava de ver o mundo com esses teus olhos… És mais racional, razoável, lógico. Eu sou uma eterna sonhadora, lunática, utópica, aluada (quem é que ainda acredita em histórias de encantar?!) . . . Porém, são tão brilhantes como os de um menino de 10 anos, cheios de sonhos e planos… Mas ao mesmo tempo tão distantes de mim.

- Tudo o que eu vejo és tu. Tu preenches o meu eu. Tu és aquela que eu nunca esqueço, nem mesmo quando não me quero lembrar! E o meu mundo… o meu mundo não existe sem ti!
-Tenho (tanto) medo… Medo que um dia me voltes a abandonar nesta cama imensa e fria. Medo de não te conseguir entender. De ver o mundo com uns olhos diferentes dos teus. Tenho medo quando finges que queres ficar… Quando finges que és feliz ao meu lado.
- Mas eu quero ficar! Eu sou feliz contigo, apesar de não saber bem o que é a felicidade (ninguém sabe…). Eu não finjo quando estou ao teu lado.
- Finges… Finges quando dizes que vamos ficar juntos para sempre. Quando dizes que sabes o quanto me magoas quando te vais embora, quando dizes que está tudo bem. Finges que não sabes que a tua ausência me gela a alma e me sufoca o coração.
- Pensei que sabias que te amo. Se calhar já não acreditas em mim… Mas foste a única que eu aprendi a amar.
- Eu só queria fugir… Saltar desta cama… Correr o mundo… Ser livre… Adormecer em teus braços.
- Eu adoro-te.
- Eu sei… No fundo eu sei!

- Amanhã, eu conto-te a história de encantar mais bela que alguma vez eu conheci.
- Sério?!
- Sério!!!
-Tipo conto de fadas?!?
- Sim. Com príncipes, princesas num mundo encantado!
- E quem são as personagens?! E esse mundo… Onde é?!
-Somos nós no nosso mundo mágico. . . !
Uma lágrima rolou até se desfazer nos lençóis… Ela deitou suavemente a sua face no peito dele, ele abraçou-a com ternura, e ela adormeceu com um sorriso estampado no rosto, sonhando que era livre como uma borboleta. . . !*
*A tua flor*
(26306)
sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008
Até já...
Não estava à espera da tua partida. Tudo me parecia bem. Éramos felizes, passávamos a vida a rir, divertíamo-nos como ninguém. Sorríamos até das coisas mais sérias. Fazias-me feliz, mesmo quando a vida me queria fazer triste. (A minha felicidade era notória). E nunca me cansava de ti, dessa tua forma de encarar a vida, preferias agir em vez de pensar. Sabias-me amar como ninguém. E nunca me falavas do teu amor, em vez disso, mostrava-lo com gestos embrulhados em carinho.
Contigo aprendi a viver o momento, a guardar o melhor de cada dia e a esperar pelo dia de amanhã sem nunca esperar nada dele. Adorava a tua voz grave e doce, as tuas mãos que me davam segurança, esse teu corpo de homem, (com esses ombros largos e esses abdominais todos moldados). Mas o que eu adorava ainda mais, eram esses teus olhos de menino de 10 anos, cheios de sonhos, planos e sempre cintilantes como as luzinhas de natal.
Guardaste-me no coração, e eu adorava viver lá dentro, mas quando foste para esse outro mundo que eu desconheço, levaste-me contigo. Ficou apenas o corpo vazio… sem sonhos, sem cor, sem reacção, sem alma. (Hoje não vivo, sobrevivo, e espero ansiosamente pelo dia em que te voltarei a encontrar).
Lembro-me perfeitamente no dia em que ela veio e te levou, num acidente estúpido e com o qual eu ainda não me conformei. Mas o mais estranho nisto tudo, é que no fundo eu sempre soube que ela um dia te ia encontrar nessas tuas corridas. Ainda hoje, (quando ligo a televisão, e vejo aqueles carros a alta velocidade) sinto o meu coração apertadinho e fico com a respiração presa por um fio. Tenho saudades tuas, e sinto falta desse teu sorriso contagiante. Não consigo, nem te quero esquecer. A tua memória mantém-me viva e não me deixa ficar ainda mais vazia. Mas mesmo que te quisesse esquecer, não iria conseguir. Ficaste-me preso não só na mente e no coração mas também na pele. Ainda vives nesta casa, em cada canto há um pedaço teu. E sempre que abro aquela porta ouço a tua voz quase que sussurrada a dizer:
-Até já, princesa…!
*A tua flor*
(1206)
segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
Esse Perfume
Fazes-te sentir em mim…
No cheiro desse Teu perfume…
*A tua flor*
(180307)
segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
It's only love
*A tua flor*
(301108)
terça-feira, 25 de Novembro de 2008
Uma dança só nossa

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Desfalecer
*A tua flor*
domingo, 16 de Novembro de 2008
Como se não houvesse amor

(241008)
sábado, 15 de Novembro de 2008
Lembras-te...
Quando corríamos, fugíamos no tempo apenas para mergulharmos no olhar um do outro, e eu sorria incansavelmente das tuas histórias mirabolantes de guerreiros imaginários que salvavam o mundo da hipocrisia dos que passavam sempre apressados. E nos abraçávamos no campo da bola enquanto eu acertava constantemente entre o aro do cesto, e nem a chuva miudinha que se entranhava nas sapatinhas novas e no cabelo perfeito de quem tinha passado tantas horas em frente ao espelho me separava do teu peito molhado com um “tum, tum” descompassado que me aconchegava a espinha dorsal e a clavícula onde o teu queixo pousava e me sussurrava ao ouvido palavras que eu ainda não sabia escutar. Tu prometias-me algo que dizias durar para sempre, algo que ainda não era amor e que para quem o “para sempre” era longe demais, e a felicidade era assim trazida pela chuva e pelas palavras sem grande significado, embrulhadas por um abraço de laço bem dado que nem o vento frio desapertava. E o quanto me irritara aquele beijo que me roubaras e mal eu sabia que para ti melhor beijo não haveria se não aquele que fora tão desejado e com tanto esforço e coragem conseguido, para mim já era muito, já era demais enquanto para ti fora pouco, um quase nada que te fizera florescer um sorriso de cristal quase eufórico e para alem do feliz nesse teu rosto de menino. Entrelaçávamos os dedos já dormentes do tempo gelado que previa o futuro de uma história ainda por começar e com tanto para dizer e mal eu sabia que aquele beijo fugidio seria o primeiro, o primeiro de muitos que me fariam pairar e levitar sempre envolta pelos teus braços que não me deixavam perder o chão nem tropeçar nele.




















