E ali ficamos nós. Juntos.
Separados. Cada um com a sua dor. Sem palavras, sem respostas, a respirar o
mesmo ar, o mesmo sabor acre da saudade. Perdidos nos laços que cortamos em
passos distantes. Sem porto seguro, a tropeçar nas pedras soltas, nesta falta
de chão que nos causamos. Somos um abismo comum. Um fosso de silêncio. Nós
engasgados em gargantas degoladas. Tu e eu, em margens alagadas, com rios
intransponíveis a viverem-nos nos olhos marejados de lágrimas. Salgando-nos o rosto
velho riscado de rugas, delineando a tristeza em trilhos sinuosos que
conhecemos como a palma das nossas mãos. Enquanto o indizível nos afunda em
breves sopros, que intuímos como a fuga infrutífera de um condenado.
Mergulhados no olhar um do outro, resignados à mágoa que deles se desapega,
tentando guardar o amor que sobrou em algum resquício do que despedaçamos
debaixo da pele. Essa, que não parava de se arrepiar em suores frios, desidratada nos desertos áridos do toque.
(121014)



