Amei-te antes, muito antes

By Flor - 1/06/2009 07:30:00 da tarde



Sabes, amei-te antes… muito antes de te saber o nome de conhecer os traços irrepreensíveis que te pintam o rosto numa tela descomunal. Quando te olhei pela primeira vez, fiquei tonta, inebriada, descompassada é assombroso o sentimento de chegarmos ao porto da nossa vida, de encontrarmos a nossa casa, limitei-me a sufocar ali a tua frente como se todo o ar do mundo tivesse sido sugado por um aspirador gigante. Fugi de ti, corei, corri, virei-te as costas com receio (medo não, um certo, pouco receio) de entrar num beco sem saída e não ser capaz (por não querer) de voltar a voar livre sem o coração ao dependuro guardado entre as tuas mãos. Levaste-me a reaprender o que me tinha esquecido durante a tua dilatada ausência, todo tempo até aquele momento até sermos “nós” não tinha passado de um desperdício. Achei-te horrendo por me ofuscares com o olhar, as ondas do teu cabelo deram-me tonturas arrebatadoras que por pouco não me derrubaram no chão frio e húmido daquele dia chuvoso. E a tua pele branca, como leite (magro, porque os outros te enjoam) quase transparente de tão resplandecente que estava. O tom da tua voz tão suave como seda e doce mais do que mel e a vontade de me deliciar. As palavras desnecessárias, sempre a mais quando os olhares de duas almas gémeas se encontram, na vertigem de um precipício que jamais as separará. Amei-te muito antes de saber o que era amar, o que era o abraço, o toque, o suspirar, o desejo dos nossos corpos entrelaçados. E hoje dou-me a ti, ainda com receio (medo não) mas com todo o coração que sempre foi e será teu, estou no teu destino, escrita nas linhas que te percorrem as mãos. Não adianta fecha-las, esconderes, fechares os olhos, que posso fazer? Sempre me guias-te não me deixas tropeçar, ensinas-me onde pisar por onde caminhar, mesmo hoje que andas tão sumido. E quando eu grito, choro até sufocar, soluço, desespero és tu que me amparas e me seguras o rosto enquanto enxaguas as lágrimas e me fazes cócegas para provocar o meu sorriso fácil, e desatamos a rir como se fossemos eternamente tocados pela felicidade. Eu louca sonhadora, convencida que iremos envelhecer juntos, até ficarmos com o cabelo grisalho e as rugas a povoarem-nos o rosto, as dores de costas e os joanetes, os dois pitosgas, tu o conquistador invertebrado e eu a tua flor de estufa princesa do reino encantado. A amuarmos um com o outro para mais tarde eu voltar a acariciar-te e tu a envolveres-me nos teus braços ainda fortes e seguros enquanto eu adormeço e tu me proteges dos males do mundo.






*flor*
(291008)

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