Gritas comigo quando não te sei dizer qual é a bebida que desejo que tragas do supermercado. Ficas em silêncio a remoer o facto de “ele” ter aparecido de repente e eu ter-me demorado no olhar que lhe lancei, antes de me perder nos traços perfeitos que te desenham o rosto. Duvidas da sinceridade que demonstro em cada inspiração que te devolvo como forma de vida, ficas furioso se por momentos me distraio e perdes-te em devaneios irrisórios contestando a minha escolha que recaiu sobre ti. Não sei se me mentes ou se te enganas quando me prometes a eternidade que esqueces mal o piso perde a plenitude. Revoltas-te, chateias-te, amuas, desistes e entregas-me de mão beijada como se eu fosse um brinquedo já sem uso e só estivesse a ocupar espaço. É esse o valor que me dás quando eu te digo do fundo da minha alma que o amor que te tenho vai para além dos números que a matemática ensina. Afundas-te em ciúmes sem razão, em neuroticismos que eu vou amparando enquanto não perco a sanidade e começo a disparatar contigo ao ponto de te encheres de mim até ao fim dos teus dias.
*flor*
(020109)

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