
É-me tão fácil voltar a recordar aqueles tempos em que tudo reluzia com um simples toque do olhar, onde as probabilidades eram muitas e as possibilidades mais do que certezas. Chegamos a ponderar todas as hipóteses? Talvez não. Esquecemo-nos que o "para sempre" nunca é eterno, a não ser nas histórias de encantar que eu passava os dias a ver sentada no sofá aconchegada numa manta cor-de-rosa cheia de florzinhas. A nossa história pouco tem de encantada, mas bem que podia ter sido uma inspiração para algum poeta suficientemente sonhador (e louco) para acreditar nela e a tornar um marco da literatura. Longe vão os tempos em que tudo era entendimento, hoje pagamos caro a distância de mundos tão diferentes como os nossos. Carregamos na alma o peso de termos sido tanto (o difícil é sermos demais e nunca de menos), de termos ido tão longe e vermos os outros tão pequeninos ao ponto de desaparecerem, sem perceberem de que massa éramos (somos) feitos, de que matéria era (é) o nosso amor incondicional e turbulento onde nem sempre a tempestade antecedia (antecede) a calmaria. Desvendamo-nos demasiado, conhecíamos os lugares mais recônditos do nosso ser (tu do meu, eu do teu), percebemos demasiado tarde que não há paz no conhecimento, apenas uma consciência mais apta para sofrer por compreender excessivamente. Sabes que te corro nas veias, que te dou vida ao coração, que te faço crescer borboletas no estômago com o meu perfume adocicado que te irá inquietar o resto dos dias.
-Sabes que isso, é para sempre...
*flor
(241008)
(241008)
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