
. . . quando estás próximo. O ar fica rarefeito, irrespirável, o coração acelera ao ponto de me saltar do peito e alterar a ordem natural anatómica. Chego a sufocar num descontrole físico que me vira do avesso numa ausência total de gravidade. A terra sai do eixo, acaba-se o movimento de rotação e o dia não termina virando um arrastar de horas infinitas que não se contam. A pele arrepia-se, os poros dilatam-se na ressaca do teu toque, na ânsia dos teus lábios, no desejo dos teus dedos inspirando uma melodia que não se ouve, como se o som fosse apenas sentido quando tu e eu fossemos apenas nós. Oh, é tão fácil saber quando estás próximo! Não existe mais nada, tudo vira sussurro, brisa sem sentido, neblina perdida. E a minha alma reclama pela tua, correndo para ti desamparada, carecida de um abraço desenfreado que sacie este padecer da tua privação sempre demasiado prolongada. Enquanto o meu corpo te inspira reequilibrando o universo do nosso ser num perfeito Feng Shui, onde tudo se arruma no sítio certo.
(20609)
