Domingo, 27 de Junho de 2010

Wishing Wonderland


Desde que entraste no meu caminho eu passo a vida a tropeçar em ti. Mesmo quando desejo que nada me sejas e que não passes só de mais um espaço no tempo para encher o dia. O vazio enche-se com vislumbres da tua ausência, em cada esquina, em cada olhar sem vida dos que por mim passam. E eu vou deambulando distraída na espera morosa, que a vontade se sobreponha à consciência, sabendo que não me encaixo no papel reservado, que não sou dotada para estes enlaces duplos e que meto os pés pelas mãos. Anseio-te, no segredo dos deuses sem eu mesma saber, na sombra inerte dos meus valores morais. Digo aos quatro ventos que é impossível acontecermos e sorrio em tom de disfarce, no vão das coisas que me dizes, nesta nossa história com coordenadas erradas e ruas estreitas. E o nosso receio de nos apanharmos os dois em contramão. Os teus silêncios abruptos como nós na garganta (que eu já não estranho) o teu passo hesitante, o medo de ficares fora de jogo e perceberam onde te leva o coração a sufocarem-te com o nervoso miudinho e o stress pós traumático de te teres chocado contra mim numa curva apertada. E eu que sempre me recusei a fazer rendilhados e a passear-me por becos sem saída… Não há nada que não me possas dizer que eu já não saiba, nos nossos devaneios de honestidade onde as tuas palavras enumeram em mim a perfeição que eu não encontro e os teus olhos esmeralda descobrem tudo o que até então só nos sonhos existia. Tu que tens pressa, que andas de Ferrari, que cobras e que queres a tradução do meu desejo em sílabas e frases feitas esqueceste que eu sou do tempo dos coches e que ainda tenho essa infantilidade de acreditar nos contos de fadas e os seus afins. Não tenho perfil para destruidora de lares, mesmo que neles a felicidade não abunde e que por vezes pense que te deitas com a pessoa errada, quando saio para a rua e as estrelas já povoam o céu sabendo que ao menos temos o prazer de apreciar a mesma lua. Virei-te do avesso sem nunca sequer ter sentido o teu toque, não me transformei em corpo presente nos teus dias mas virei intrusa na tua mente, por isso aprendeste a manter-te na minha margem a contemplar-me em terras de ninguém. Eu que fiquei em ti, como uma marca de água ténue, daquelas que não se apagam, que quase ninguém vê, mas que quem a tem não a consegue esquecer. Ambos marcamos a nossa posição, eu, neófita nestes jogos perigosos e sem jeito para disfarces brejeiros e tu homem de boa índole a abrirmos espaço e a acumular matéria entre nós negando-nos ao passatempo das horas conjuntas nos dias X do calendário. Mas não é por isso, que ainda hoje quando te digo que qualquer dia desapareces do meu mapa e apagas-me do teu que tu deixas de desafiar a gravidade colocando o teu pezinho em ramo verde e de dizeres em tom de brincadeira e com um sorriso de miúdo traquina: “Qualquer dia apago tudo o que tenho (só) para te ter no meu mapa.”





*flor*
(26610)
(iD)

Texto inspirado...

7 aconchegos:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. A única coisa que quero agora é uma caixa de lenços de papel e chorar copiosamente, até secar-me as lágrimas, até desidratar-me, tamanha a dor que trespassa meu coração. É assim que me sinto, e suas palavras como que vai arrancando todas as cascas, expondo uma ferida que queria ver cicatrizada...

    Antes de ler voce, estava a escutar essa música.
    É belíssima!


    beijos!


    http://www.youtube.com/watch?v=TBhAgP500Pk

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  3. Querida Inês, antes de mais, agradeço a visita. E retribuindo-a, só tenho a dizer que fiquei fã deste blog e voltarei assiduamente.

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  4. Oh fico muito feliz por isso. A sério. É bom saber que os textos dão em alguma coisa para alguém. Muito obrigado pela visita :)

    Beijinho *

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  5. Adorei minha querida, nem sabes quanto esta verdade também é a minha. Tenho pena que só soube dela tarde demais.

    Quer dizer... agora vou bem a tempo de dizer que não! Mas o bater do coração, o tremer das mãos, das pernas, baralham-me as ideias... fazem-me esquecer tudo aquilo que até aqui sempre acreditei!

    E eu já estive do outro lado...

    dá para ver que estou confusa não é? A lutar entre o coração e a razão... e quando estou perto a razão nem se levanta, nem é colocada em causa, apenas quando já estou longe, bem sozinha ou com a única pessoa que sabe o que se passa, uma amiga!

    Já agora, as tuas músicas tem servido de banda sonora à minha tarde de trabalho. Algumas fazem parte das minhas preferidas, as outras passaram a fazer!

    Beijocas grandes!

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  6. Veio para ficar, parece-me... O amor implica decer e vocês têm isso.

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  7. Que lindo texto, estou como a Ava tive que me conter para não chorar! beijoca

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