Há coisas que nunca mudam, amores que nunca acabam, ‘para sempre’ que se concretizam e a tua presença disfarçada nos meus dias. Há coisas que se mimetizam, o teu nome a piscar no ecrã do telemóvel, ele a vibrar urgente da minha atenção e a minha apatia, aparente, agasalhada pelo ‘deve ser engano’! Ainda te lembras de mim? Talvez o controlo te tenha escapado entre os dedos e numa fugaz coincidência, se tenha aconchegado no meu nome, perdido algures no meio da lista telefónica. Será que me esqueci de algo, por aí? Quem sabe, o meu coração amolgado, vestido de pó e remendos mal amanhados. Fico assim a cismar, o que poderá ser. Provavelmente mais uma aposta com um amigo, desta vez ganhavas se a parva, trémula e com a alma em alvoroço te desse logo atenção e nem deixasse o telemóvel (tadinho), matar as saudades de um velho companheiro de conversas. Ainda deves viver com trivialidades a passear de mão dada contigo na vaga ideia fútil de te terem saqueado o coração. Afinal, há coisas que nunca mudam, poucas, é certo, mas o teu jeito para me aldrabar e a minha boa vontade inocente, ou será indecente? Esses, ainda por cá andam, na mesma pasmaceira de sempre. E tu, que me conheces, invades-me o dia assim, logo pelo fim(zinho) da manhã e no mesmo instante, imagino o embaraço, a língua enrolada e as palavras já gastas, do tempo que nos escoltou no passado, a saírem em esforço e a fala a arrastar-se pelo chão do quarto já tonto, das voltas e contravoltas que os meus pés por si só decidiram dar. Entras no meu dia num looping perfeito, transformando-o numa Montanha Russa e eu fecho-te a porta antes que a segurança falhe. Poupo-te os sorrisos de circunstância e a conversa encenada, desembaraçando o nó que me deste no estômago. Mordo o lábio inferior, cruzo os dedos, julgando-te um mero falso alarme. Há muito que já não me deves desculpas, nem eu te devo perdões. Deixo tocar, até tudo ficar mudo, surdo e a desordem acalmar. Depois mandas mensagem, despejas o recado na caixa de Voice-mail ou desistes da ideia. Afinal de contas, hoje nem é 1 de Abril! E no fundo apenas te estejas a enganar a ti mesmo, porque eu já não te sirvo de engodo para levantar o ego ou empatar o tédio.
(151010)

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