Não te faças demorar.
Vem comigo encurtar-nos a distância.
Envolve-me com um sopro, despeja os bolsos
(dessa tua vida cheia de falta de nós)
em cima da mesa.
Agora,
vem desarrumar-me o cabelo,
borrar-me a pintura e amachucar-me a roupa,
acabando de uma só vez com a minha vaidade.
Vamos falar sem nexo, sorrir em exagero,
sentir-nos chegar ao limiar da exaustão.
Até que a lua se renda aos primeiros raios da manhã,
a entrarem sem pudor pela janela do quarto.
E no final,
de olhos semicerrados ordenados de sonhos,
com os passos já a arrastarem-se pelo chão,
a nudez da minha alma se encontre desmaiada,
aconchegada pela tua.

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