Sabes que basta quereres. Que sou fraquinha, fraquinha por
ti. Um sorriso sorrateiro, um olhar acossado ou um gesto com sabor a arroz
malandro. Sabes que me tentas, que me quedo nos teus braços,
qual feito cinematográfico, à moda antiga, para te agradar. Que o teu passo desertor
do meu fruto proibido me aguça os sentidos, me atiça a saudade, tornando-me
ávida da matéria de Deus, quando nem a religião nos salva. Chega e sobra, um
beijo fugidio, um roçar dos lábios, um abraço quebrado. Fraquinha, fraquinha… Embalas-me
os sentidos nesta volúpia de te provar, e vivemos com o corpo absorto no medo do
toque, como se este fosse o pronuncio da enxurrada final na nossa cultivada
elegância. Sabes que me bastas e é só quereres. Que se acabam as meias
palavras, os trejeitos encriptados, os passos distantes na luta inglória da
separação. E podes morder-me as rendas, dissolver-me a pele na língua, fazer
de mim, vinda para ti, numa solenidade obscena. Sabes que te quero. A
desenhar-me os ângulos, com a precisão geométrica de um arquiteto paisagista. E
que te desejo, nesta luz difusa da felicidade, no prazer ocioso dos dias.
(25912)
P.s.
Neste modelo não dá para manter o meu antigo leitor, por isso, a partir
de agora, se quiserem ouvir a música escolhida para este e os próximos
devaneios, basta seguirem o link designado de "Música". Velhos hábitos
não se perdem, adaptam-se! :)


