
Ontem...
Escrevi-te até ficar exausta de tanto sentimento à flor da pele. Pus tudo preto no branco cartas em cima na mesa sem truques de magia de ilusionista barato. Acabei com essa tua perfeição defeituosa e de repente o mundo ficou mais leve. Trancas na porta e ala que se faz tarde. Nem adiantaram as falinhas mansas, as desculpas esfarrapadas ou as cantigas do bandido que sempre interpretaste como ninguém. Libertei-me deste sufoco até ao último morfema revelei-me um Às gramatical, não errei nem um acento e nada prejudicou o atropelo das palavras engasgadas. Fiquei inóspita, arrumei-te na gaveta e livrei-me de ti. Ontem... o vazio era tanto que se ouvia ao longe o eco do coração partido enquanto chorava as últimas lágrimas depois da eternidade. Discuti os prós e contras num frente a frente encenado, acertei as vírgulas e pus os pontos nos i(s). Até tu chegares e por fim fazeres os balanço das contas cheias de somas e raízes quadradas subtraídas. E eu a dar-te corda, enquanto perdia o fio à meada numa exploração de pontos fracos já reconhecidos depois do estudo aprofundado. Esticaste-te ao máximo numa luta desleal, até me ultrapassares as defesas, virares-me do avesso e acabarmos os dois em posições gramaticalmente erradas.



